Comércio

Pandemia fez crescer em quase 50% as vendas de tecnologia

Pandemia fez crescer em quase 50% as vendas de tecnologia

A lei da oferta e da procura funciona mesmo em tempo de pandemia. A necessidade mais acentuada de tecnologia levou ao aumento dos preços.

Em certas alturas do dia, em casa da família Martins, em Ermesinde, Valongo, estão os cinco em frente ao ecrã do computador: o pai, António, a mãe, Sofia, e os três filhos - cada um com o seu. O do Pedro, o mais novo, aluno do oitavo ano, chegou há duas semanas. "Todos precisamos do computador para trabalhar, tanto eu, como a minha mulher, como as minhas duas outras filhas, por isso foi necessário investir na compra de mais um, recondicionado, para o Pedro poder continuar a ter aulas", explica António, o patriarca.

A pandemia fechou-nos em casa, trouxe-nos para o quotidiano o teletrabalho e o ensino à distância e fez disparar a corrida aos produtos tecnológicos um pouco por toda a Europa. Em Portugal, após uma quebra de cerca de 18% registada no início do estado de emergência, o mercado já entrou em retoma: a venda aumentou quase 50% (48,3%) entre 13 e 19 de abril, comparativamente ao período homólogo do ano passado. As impressoras multifunções estão entre os equipamentos mais procurados, com um aumento de 481%, secundadas pelos computadores portáteis (351%), pelos tablets (137%) e pelos desktops (118%).

Na Worten, o único entre os principais retalhistas do setor em Portugal que acedeu a responder ao JN, a categoria de informática foi a mais procurada nos primeiros três meses do ano, liderando o ranking das vendas em março, seguida pela categoria de televisores e imagem: as de portáteis subiram 30% e as de impressoras superaram os 40% no primeiro trimestre de 2020 face a igual período de 2019.

Encomendas online

Os dados divulgados ontem pela GfK indicam ainda que as compras são cada vez mais online, representando hoje quase 30% do consumo, quando antes nunca ultrapassavam os 10%. Foi esse o método utilizado por António Martins para oferecer o portátil ao Pedro e, "dois ou três dias depois de ter sido encomendado", já estava a entrar lá em casa. Não foi o que aconteceu com Helena Duarte Silva, professora do Ensino Secundário, que adquiriu um computador numa loja física para o filho, José Miguel, a frequentar o 10.º ano: "O meu marido tem o computador dele, eu preciso do meu para dar as aulas, muitas vezes em horários coincidentes com as do meu filho, pelo que não nos restou alternativa senão comprar um".

O problema, sublinha Helena, foi encontrar um equipamento à medida do orçamento: "Os equipamentos mais acessíveis estavam quase todos esgotados, só se encontravam modelos muitos caros. Felizmente consegui encontrar um numa loja com uma boa promoção e que cumpre totalmente as necessidades".

"No geral, houve um aumento de 3%, embora seja difícil recolher dados porque muitos destes produtos ficaram sem stock e existem algumas variações em termos de modelos", explica Paulo Pimenta, CEO do KuantoKusta, plataforma digital portuguesa.

Na prática, antes de ter sido decretado o estado de emergência, um portátil de gama média que custava 790 euros passou a valer 819 nos dias de hoje. Mais significativa, refere ainda o responsável, foi a subida do preço médio das webcams (64%) e também das impressoras (15,78%).

48,3%

Na primeira semana do estado de emergência, verificou-se uma quebra de 17,4% no consumo de tecnologia. No entanto, já se nota uma retoma, com um aumento das vendas de 48,3%.

137%

As vendas de portáteis registaram, entre 13 e 19 de abril, um crescimento de 137% face ao mesmo período de 2019. Entre 16 e 23 de março, já se verificara um crescimento superior a 60%.

Na onda da Europa

O consumo de tecnologia aumentou na Europa. Segundo a GfK, entre 9 de março e 5 de abril, o isolamento provocou um aumento das vendas de webcams (297%), monitores (120%) e impressoras (68%).

Vendas online

Na Grã-Bretanha, na Alemanha, em França, Espanha e Itália, as vendas através da Internet cresceram quase 100% de 31 de março a 5 de abril. Ainda assim, não compensaram as perdas das lojas físicas.

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