Estes são os melhores vinhos para este inverno

Estes são os melhores vinhos para este inverno
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Tintos, brancos, rosés, espumantes e aguardentes. A oferta vasta e a excelente qualidade dos vinhos de Entre-Douro-e-Minho são um dos tesouros mais preciosos da vitivinicultura nacional que não pode faltar à mesa.

Gostar de vinho não é difícil. Saber harmonizá-lo já é uma história diferente. Perceber qual a garrafa mais indicada para acompanhar cada prato e os critérios que guiam essa escolha pode parecer um quebra-cabeças ao início, mas não tem de ser sempre assim. De forma a tornar esta tarefa mais fácil, nada melhor do que saber por onde começar. Neste caso, o ponto de partida não é uma garrafa em particular, mas, sim, a maior Região Demarcada portuguesa (e uma das mais extensas da Europa).

A Região Demarcada dos Vinhos Verdes ocupa o noroeste do país, na zona que a tradição popularizou como Entre-Douro-e-Minho. É limitada, a norte, pelo rio Minho e, a sul, pelo rio Douro e as serras da Freita, Arada e Montemuro; a este, pelas serras da Peneda, Gerês, Cabreira e Marão; a oeste, pelo Oceano Atlântico.

Esta localização geográfica estratégica proporciona mais do que uma bonita paisagem. O clima ameno, a elevada precipitação e a influência marítima, bem como solos férteis de granito, compõem o terroir único da Região dos Vinhos Verdes. Este termo francês pode parecer estranho à primeira vista, porém, é importante debruçar-nos nele.

De acordo com a enóloga Inês Carrão, o terroir é o verdadeiro fator distintivo dos produtos desta região, sendo uma mistura de fatores humanos e naturais que influenciam a qualidade da vinha e da uva e, consequentemente, as características do vinho. Alguns desses fatores, explica, são as "características da região ligadas ao solo, sistemas de condução da vinha, meteorologia, tradição de viticultura e enologia, e química".

Quais são os vinhos da Região dos Vinhos Verdes?

Contudo, a Região Demarcada dos Vinhos Verdes não é toda igual. Diferenças ao nível do solo e microclimas fazem com que o território se divida em nove sub-regiões, onde se desenvolvem castas diferentes e se elaboram vinhos diversos. O resultado é uma multiplicidade de tintos, brancos, espumantes e aguardentes. Vamos conhecê-los.

Ao longo do noroeste português, encontram-se vinhos brancos feitos a partir das castas Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal e Loureiro. Quanto aos tintos, as castas principais são o Espadeiro, Padeiro e Vinhão. As uvas das castas Espadeiro e Padeiro também são usadas para produzir rosés, refere Inês Carrão.

Caso tenha curiosidade em experimentar esta variedade de castas, não tem de esperar pelo verão. O inverno é uma ótima altura para partilhar uma garrafa com amigos e família num ambiente íntimo e caseiro. E se até já tem um jantar marcado e não sabe o que levar, Inês Carrão aconselha o espumante, já que "é o vinho que dá com tudo" e a Região Demarcada dos Vinhos Verdes tem-se destacado pela qualidade dos seus espumantes.

Por outro lado, o inverno, como pede refeições substanciais, quentes e feitas com produtos próprios da época, também obriga a sabores intensos e untuosos aos quais pode não estar tão habituado. Por isso, é a oportunidade ideal para os explorar.

Que vinho escolher para cada ocasião?

Eis a pergunta que não quer calar. Mas vamos por partes. Começando pelas entradas, os enchidos, por exemplo, são uma escolha frequente nesta altura do ano. Na opinião do enólogo Virgílio Loureiro, vão bem com vinhos pouco encorpados, como rosados secos, tintos leves e brancos aromáticos e secos. E por falar em tintos, o vinho da casta Vinhão é aconselhado para sopas tradicionais e robustas, como o caldo verde.

Passando para o prato principal, o cozido à portuguesa ganha destaque nesta altura do ano. Rico em enchidos e carnes várias, pode ser acompanhado pelo vinho da casta Alvarinho, um branco forte, intenso e com muita estrutura. Ou seja, é a alma gémea deste prato típico.

Para além do Alvarinho, Virgílio Loureiro aconselha as castas brancas Azal e Avesso para beber enquanto se come um anho ou um cabrito assado com arroz de forno. É importante não esquecer também o vinho tinto da casta Vinhão quando se fala em receitas à base de carne, nomeadamente o galo de cabidela.

Para os dias em que preferir peixe, o bacalhau é a escolha indispensável. Assado no forno ou frito em cebolada, combina perfeitamente com uma garrafa de vinho tinto fresco, moderno, ou um branco com muita frescura, da casta Avesso, diz o enólogo. A lampreia também é a rainha da mesa nesta estação, quer seja à bordalesa ou num arroz. Virgílio Loureiro aconselha a casta Vinhão.

Já quanto ao marisco, o enólogo destaca a santola no forno como um prato tipicamente invernal e que se alia muito bem a dois vinhos particulares da Região dos Vinhos Verdes: Espadeiro rosé seco e Alvarinho jovem.

Apesar de os pratos mencionados anteriormente serem feitos à base de proteína animal, as refeições vegetarianas e vegan podem (e devem) fazer parte desta lista. O rataouille é a prova disso. Feito apenas à base de legumes, pode servi-lo com um vinho tinto da Região dos Vinhos Verdes. Se a sua opção for massa com molho pesto, uma refeição aveludada, o sabor fresco e aromático do Alvarinho pode ser a opção certa.

E, para terminar, não podíamos deixar de fora as sobremesas. Sim, os vinhos também podem ser bebidos com doces. Aqui voltamos ao espumante, que Virgílio Loureiro sugere com o pudim abade de priscos. Para complementar os sabores doces, aguardentes vínicas com estágio em barrica, macias e florais, são também indicadas.

Agora que já ganhou algumas luzes sobre a harmonização dos vinhos da Região dos Vinhos Verdes, não pense que ficou a saber tudo. Para ganhar ainda mais conhecimento e experiência, tem de provar muito. Por isso, desafie-se, saia fora da sua zona de conforto e siga o conselho da enóloga Inês Carrão: "Os vinhos da Região dos Vinhos Verdes não se devem perder no inverno".

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