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Portugueses não aceitam pagar a fatura da guerra nos combustíveis

Portugueses não aceitam pagar a fatura da guerra nos combustíveis

Os portugueses não estão dispostos a pagar um dos custos imediatos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia: 62% dizem que a subida da fatura da energia e dos combustíveis não é aceitável, de acordo com uma sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF. E apontam o dedo ao Governo: não está a fazer tudo o que devia para atenuar a subida dos preços (65%).

Marcelo Rebelo de Sousa fez, esta semana, um alerta ao país sobre os efeitos do conflito na Ucrânia, que já vai na quarta semana: "O que já se passou teve, tem e terá custos enormes sobre a vida de todos nós, nomeadamente na Europa. Não há como negá-lo ou fazer de conta que estes custos não cairão na nossa vida".

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A sondagem, cujo trabalho de campo decorreu entre 10 e 14 de março, confirma a perceção do presidente: 59% dos portugueses já sentiram o impacto da guerra na sua vida particular, em especial os que vivem na Região Norte (67%) e os que têm entre 35 e 49 anos (64%). E sentiram-no sobretudo ao nível económico (nove em cada dez). Mas, se já sentiram o impacto, isso não significa que estejam disponíveis para suportar os custos.

Mais velhos aceitam o preço

As primeiras faturas a chegar foram as da energia e dos combustíveis. No caso da energia, é sentida de forma aguda pelas empresas do setor industrial (há fábricas a suspender a sua atividade). A segunda foi a mais imediata para as famílias (desde o início da guerra, o gasóleo subiu 32 cêntimos por litro e a gasolina 21). E os portugueses não estão disponíveis para as pagar (62%). O único segmento populacional em que há uma maioria que considera a fatura aceitável são os cidadãos com 65 ou mais anos (56%).

Mas nem entre estes o Governo merece o benefício da dúvida. Dois terços dos portugueses (65%) entendem que António Costa não está a fazer o suficiente para atenuar a escalada (apesar da redução do ISP para compensar o aumento da receita do IVA; ou do Autovoucher mensal de 20 euros). Os mais críticos são os que têm 35 a 49 anos (76%), que são também os que mais acusam o impacto da guerra.

Aumentos e escassez de bens

Quando se pergunta sobre o tipo de impactos que a guerra terá em Portugal, duas preocupações destacam-se sobre todas as outras: o aumento dos preços dos bens essenciais e o aumento dos preços dos combustíveis, ambos assinalados por 85% dos inquiridos (podiam selecionar três), numa resposta comum a todos os segmentos da amostra (geografia, género, idade e classe social).

Uma eventual escassez de alimentos é a preocupação seguinte na lista dos portugueses (36%), apesar das declarações recentes dos ministros da Economia e da Agricultura no sentido de tranquilizarem a população e evitarem o açambarcamento. Esta preocupação é particularmente aguda entre quem vive na Região Centro (45%) e entre os mais pobres (47%).

Aliás, quando se pergunta especificamente sobre uma possível escassez de bens essenciais, percebe-se que essa é uma "grande preocupação" de exatamente dois terços dos portugueses (66%), de novo com os que vivem na Região Centro (73%) e os mais pobres (80%) em destaque.

Os portugueses estão disponíveis para abrir as portas do país aos refugiados da guerra da Ucrânia: 81% concorda (pelo menos parcialmente) com a decisão do Governo de não impor qualquer limite à entrada no nosso país. Mas não mostram a mesma disponibilidade para receber os que fogem de outras guerras. Se forem afegãos, sírios ou de um país africano, a percentagem desce para os 57%.

Comparando as respostas, consoante as origens dos refugiados, percebe-se que os que "concordam totalmente" com um regime especial sem limitações à entrada cai para metade: 44% no caso de ucranianos, 22% no caso de pessoas de outras paragens, com cultura, religião e até cor de pele diferente.

Isso não significa que haja uma rejeição total do acolhimento a quem possa por aqui procurar refúgio. Feitas as contas, apenas um quinto dos portugueses (22%) mostra oposição à política de portas abertas para cidadãos de outros continentes que não o europeu (no caso ucraniano são 8%).

41% A aceitação de uma fatura mais elevada na energia e nos combustíveis é tanto maior quanto maior o rendimento: 30% dos mais pobres compreendem que há um preço a pagar e a percentagem vai subindo, até chegar ao 41% entre os dois escalões sociais mais altos.

71% Ainda que os mais pobres também critiquem a incapacidade do Governo em atenuar a subida de preços da energia e combustíveis (60%), o descontentamento também vai subindo à medida que se progride na escala social, chegando aos 71% nos dois últimos escalões.

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