Ferrovia

Reabertura da oficina de Guifões salva comboios urbanos do Porto

Reabertura da oficina de Guifões salva comboios urbanos do Porto

A reabertura da oficina de Guifões salvou os comboios urbanos do Grande Porto. Este material vai começar a ser alvo de uma revisão geral a partir do próximo ano, ao fim de 20 anos de serviço.

"Esta oficina vai ser fundamental para a manutenção de material circulante. Sem estas instalações, a CP não conseguiria fazer as revisões gerais dos comboios urbanos do Porto", assumiu o presidente da empresa, Nuno Freitas. Até há pouco tempo, acrescentou o gestor, "não existia planeamento nem tão pouco se sabia onde fazer esta revisão geral".

As unidades múltiplas elétricas da série 3400 chegaram ao serviço urbano do Porto em 2001 e, além do Grande Porto, servem estações nos distritos de Braga e Aveiro.

Todos os dias circulam 33 das 34 unidades no ativo.

Isto quer dizer que a revisão terá de ser feita de forma criteriosa para evitar a supressão de comboios, pressionados pelo aumento da procura gerado pelos novos passes, em vigor desde abril.

Até junho, Guifões também vai recuperar cinco locomotivas elétricas da série 2600 e 13 carruagens Schindler, da década de 1940. Estas carruagens são atrativas para a linha do Douro porque têm janelas amplas e podem ser abertas para contemplar a paisagem da região.

Até ao final do ano, também serão reparadas 14 carruagens saídas da fábrica portuguesa Sorefame.

Automotoras a diesel

A chegada deste material às linhas do Douro e do Minho vai libertar algumas das 24 automotoras a diesel alugadas a Espanha para percursos não eletrificados, como as linhas do Oeste, Alentejo e Algarve, onde se mantêm as supressões diárias de comboios.

Neste ano, esta oficina vai ainda construir protótipos para a modernização, até 2024, de mais 40 carruagens Sorefame; protótipos para carruagens-piloto; e ainda um exemplar para a renovação de um total de 19 automotoras diesel da série 450.

Sonho de Costa

O Norte do país também poderá servir para concretizar o sonho do primeiro-ministro, António Costa: pôr Portugal a fabricar os próprios comboios. "Tenho o sonho de daqui a 10, 20 ou 30 anos podermos dizer que fazemos parte do clube de produtores automóveis e de produtores de comboios", ambiciona o líder do governo.

As 22 novas automotoras para o serviço regional só deverão chegar entre 2023 e 2024. Só que a necessidade de comboios é imediata.

140 empregos

Até ao final de 2021, a oficina da CP de Guifões vai contar com um total de 140 trabalhadores, 90 dos quais são "altamente especializados" na reparação e manutenção de comboios.

Centro tecnológico

O parque de Guifões também vai contar, entre o final deste ano e o início de 2021, com um centro tecnológico com laboratórios colaborativos, uma incubadora de empresas e um centro de formação profissional.

Trabalho até 2024

Com a atual carteira de encomendas de reparações e modernização de comboios, esta oficina já tem trabalho garantido até ao final de 2024, com um turno de trabalho.

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