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Beira Baixa: Aqui, o Passado é Presente

Beira Baixa: Aqui, o Passado é Presente
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A história e o património cultural da Beira Baixa são de tirar o fôlego. O ouro chamou os romanos, importantes modeladores do território. Deles e dos povos que os precedera e sucederam há legados imperdíveis. Como imperdíveis são as estórias e o labor dos que construíram o passado recente desta região

É preciso recuar 30 a 50 mil anos para se contar a história Beira Baixa enquanto área ocupado por humanos. Território português desde os finais do século XII, é aqui que se encontram os vestígios mais antigos de presença humana no nosso País. Se, como diz o historiador e arqueólogo Pedro Miguel Salvado, "a História é a soma das marcas do homem", a Beira Baixa está carregada de "marcas". As primeiras estão cravadas nos vestígios arqueológicos achados nas Portas de Ródão e na Foz do Enxarrique, em Vila Velha de Ródão.

O território só foi, contudo, verdadeiramente modelado quando os romanos dele tomaram conta. "É em busca do ouro que eles vêm", explica o historiador. Governadores da então Lusitânia, olharam com particular cuidado para a Civitas Igaeditanorum (Idanha-a-Velha), por duas razões: a privilegiada posição geográfica, local de passagem entre Emerita Augusta (Mérida) e Bracara Augusta (Braga) e, justamente, a riqueza aurífera. As conheiras (amontoados de seixos retirados do rio) existentes no território são prova cabal do interesse dos romanos: sacar todo o ouro possível. Sacaram a bom sacar: cerca de 3500 quilos, de acordo com os especialistas.

"A presença das ordens militares é outro fator muito relevante para a História" da sub-região, entende Pedro Miguel Salvado, que acrescenta a relevância da primeira invasão francesa e, finalmente, a inauguração da Linha da Beira Baixa, em 1891. "O comboio foi o maior agente divulgador da região", considera o especialista.

Aqui, o passado é presente

Na verdade, nos seis concelhos que hoje se agrupam na Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor, Proença-a-Nova, Oleiros e Vila Velha de Ródão), o passado é presente, por ser grande o legado histórico e cultural dos povos que por aqui passaram e pelas gentes que aqui assentaram arraiais no tempo dito contemporâneo.

Começar esta viagem por Idanha-a-Velha, povoação do concelho de Idanha-a-Nova alcandorada ao posto de Monumento Nacional, é, porventura, o passo mais seguro, para buscar o fio de um novelo em que se misturam conquistas e reconquistas, avanços e recuos, lendas e contos.

Centro de território mineiro, era a partir da Egitânia, fundada pelos romanos no séc. I a.C, que se fazia a gestão de todas as concessões que permitiam rebuscar a terra à procura de riqueza.

A opulência de uma localidade construída de raiz é evidente. Notável pelo conjunto de ruínas que conserva, ocupa lugar de destaque no contexto das estações arqueológicas do país (hoje, as escavações continuam no terreno).

A Sé, um portento

A Sé Catedral é um portento. O edifício terá sido construído no séc. IV, ou início do séc. V, como lugar de culto, supostamente durante o domínio suevo. Os sucessivos tumultos causados pela ocupação muçulmana, pela conversão ao culto islâmico e pela reconquista dos cristãos deixaram o templo em ruínas. Coube à Ordem dos Templários, em meados do séc. XII, recuperar parte da Sé, para ali fazerem a "sua" Igreja, dedicada a Santa Maria. O edifício voltaria a ser intervencionado um par de vezes. Hoje, guarda verdadeiras relíquias, como uma pintura de S. Bartolomeu com o diabo a seus pés. Imperdível.

Ali bem perto, um pavilhão de vidro e ferro guarda parte da coleção epigráfica local. É uma das maiores e mais representativas coleções do tipo do nosso país, com inúmeras epígrafes romanas, como esta: "A Gaio Cúrio Firmino, filho de Pulo, da tribo Quirina, de 63 anos. Cúria vital mandou fazer para si, e para o marido ótimo". Imperdível.

Esta Torre é um luxo

Imperdível é também a Torre de Menagem de Penamacor. Lá no alto avista-se muito: as rochas mais altaneiras da aldeia de Monsanto e as serranias de Penha Garcia (Idanha-a-Nova), as serras da Gardunha e da Malcata e os primeiros esgares de Espanha. Mas é na Torre, absolutamente impecável, que os olhos depressa pousam.

Implantada num promontório rochoso (aproveitando, claro, as condições naturais que permitiam alcançar largas vistas), integrava a linha de defesa da fronteira. Hoje, a Torre é tudo o que resta da alcáçova (aposentos do senhor do Castelo) de uma das mais importantes fortalezas da Beira.

É Monumento Nacional desde 1973.

Chega a lenda

Na margem norte das Portas de Ródão, em Vila Velha de Ródão, ergue-se o Castelo do rei visigodo da Hispânia, Vamba, senhor entre 672 e 680. A lenda que o acompanha desde sempre é deliciosa: um rei mouro que vivia num castelo na margem sul, "roubou" a parceira de Vamba. Ferido no orgulho, o rei cristão recuperou, a golpes de força, a sua rainha. Condenada à morte, foi presa a uma mó e jogada escarpa abaixo, até ao Tejo. Por onde a mó passou não cresceu mais mato.

Na verdade, o Castelo deve ser considerado uma torre de vigia. Durante a Reconquista Cristã, teria como principais funções a vigilância da linha de fronteira do Tejo das incursões muçulmanas provenientes do sul.

A partir dos tempos modernos, viria a ser utilizado como base de artilharia, tendo em vista impedir a passagem do Tejo e a entrada no Alentejo, de acordo com uma rota de invasão através da Beira Baixa, como sucedeu durante a Guerra dos Sete Anos e na 1.ª Invasão Francesa (1807).

Precisamente: quando, em novembro de 1807, as tropas francesas comandadas pelo general Junot atravessaram o concelho de Proença-a-Nova a caminho de Lisboa, para aprisionarem a família real, tiveram que se ver com a linha de fortes e batarias que serviu a defesa da região. A complexidade das três infraestruturas identificadas, aliada à imponência da serra das Talhadas (uma pesada barreira natural para as tropas ao serviço de Napoleão Bonaparte), permitem deduzir o caráter estrutural destas linhas de defesa. Foi a sua robustez, de resto, que permitiu a sua preservação durante mais de dois séculos.

Duas joias

Já em Oleiros, a demonstração do património cultural faz-se através do culto religioso. É impossível não abrir a boca de espanto, quando vemos a extraordinária talha dourada da Igreja Matriz (a "Joia da Coroa", classificada como Imóvel de Interesse Público) e os fantásticos painéis cerâmicos figurativos do séc. XVIII que revestem as paredes laterais. Fixe o olhar numa imagem de Nossa Senhora, em pedra, do séc. XV, antes de partir à descoberta da Capela de Nossa Senhora dos Homens.

Edificada com a casa contígua em meados do séc. XVIII pelo Capitão de Milícias Manuel Pereira da Costa, é hoje propriedade da Santa Casa da Misericórdia. É preciso subir ao coro, de onde a família proprietária assistia à missa, para ver com olhos de ver o teto revestido por 12 espantosos caixotões com temas marianos e alusivos ao nascimento de Jesus.

A vez da gente

A preservação do património cultural depende tantas vezes da gente da terra, da gente que nunca esquece de onde vem. É o caso de Mário Bento. Ao longo da vida, colecionou peças arqueológicas e etnográficas, que são hoje a alma do antigo lagar da família Cameira. O Museu que leva o seu nome, adaptado e ampliado pela Câmara de Penamacor, é uma montra viva: ao equipamento e mobiliário industriais do lagar juntam-se outras peças entretanto oferecidas por outros dadores.

As tulhas para armazenagem e pesagem da azeitona, hoje apenas marcadas no pavimento, a zona da lavagem e a zona da moagem, os geradores e motores, a termo-batedeira onde a azeitona triturada era envolvida, aquecida e transportada em vagonetes, circulando em carris para as prensas hidráulica, as prensas que espremiam a massa recolhida em tanques onde, por gravidade, ou conduzidas a uma centrifugadora, o azeite era separado dos líquidos: tudo está ali, para nos recordar as 18 horas de trabalho diário necessárias para tirar da oliveira um dos sustentos das famílias das Beira Baixa.

Há um "parente" deste lagar em Vila Velha de Ródão, junto à margem do ribeiro do Enxarrique. Exemplarmente recuperado, o Lagar de Varas do Cabeço das Pesqueiras é o sítio certo para conhecer todas as etapas da produção de azeite, desde os métodos primitivos até aos sistemas mecânicos.

Após a reconstrução cuidada, foram definidas novas utilizações para o espaço do Lagar e respetivos anexos, de modo a serem visitáveis como polo museológico e preservarem e valorizarem o extraordinário espólio ali guardado, mais do que suficiente para preservar memórias imperdíveis.

Dos portados à pintura

É também pela memória que puxam os fantásticos portados quinhentistas da zona histórica de Castelo Branco. A título de exemplo: na rua dos Peleteiros, onde viviam as famílias cujo sustento vinha do corte e tratamento de peles, os lintéis das portas estão marcados com motivos florais. Os chanfros (afeiçoamento das ombreiras) são mais uma marca caraterística daquilo a que os estudiosos chamam "uma arquitetura de parcos recursos".

O caráter repetitivo dos portados define parte da imagem da cidade, ocupando a quase totalidade do espaço edificado na Zona Histórica. Para além disso, a casa corrente medieval é um excelente testemunho das necessidades e atividades sociais e profissionais do homem de então.

Logo ali à beira, nas imediações da Praça de Camões, é o contemporâneo que manda. O fantástico Museu Cargaleiro guarda algumas das joias do pintor e ceramista português, oriundo de Vila Velha de Ródão.

Constituído por dois edifícios contíguos (um palacete construído no século XVIII, designado por "Solar dos Cavaleiros", e um edifício contemporâneo do século XXI), vemos o belo e sentimos o orgulho: a coleção da Fundação Cargaleiro é uma referência nacional e internacional, pela sumptuosidade das obras de arte, incorporadas por doação do artista.

A cerâmica, os desenhos, as esculturas, as gravuras, as pinturas, os têxteis: esqueça as horas, quando entrar aqui.

Faça o mesmo, quando visitar o Museu Isilda Martins, em Proença-a-Nova. A história deste núcleo etnográfico cruza-se com a do Grupo de Danças e Cantares de Sobreira Formosa, fundado em 1979. Foi por iniciativa da diretora do grupo, Isilda Martins, que se iniciou a recolha de objetos de uso quotidiano, vestuário, alfaias agrícolas e outros utensílios entretanto organizados de forma a recordarem aos visitantes memórias da vida no concelho, particularmente na primeira metade do século XX.

"Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória", disse um dia a escritora Marguerite Yourcenar. Na Beira Baixa, o passado é presente. Como não gostar da vida, aqui?

Mais informação em www.beirabaixatour.pt

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