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Dois dias na Beira baixa: da Adrenalina ao Zen

Dois dias na Beira baixa: da Adrenalina ao Zen
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Passa sempre a voar o tempo, quando queremos que caminhe devagarinho. Por isso, as escolhas para conhecer, em 48 horas, algumas maravilhas da Beira Baixa exigem critério. Segue apenas um exemplo. Agarre-se, que há adrenalina. E descontraia, que há paisagens deslumbrantes para ver e mergulhos refrescantes para dar.

DIA 1
Consumir numa só atividade cerca de oito das 48 horas que temos disponíveis para conhecer a sub-região da Beira Baixa parece, à partida, um exagero. Temos pela frente aquele que é, simplesmente, o maior trilho contínuo de pegadas humanas do Mundo - o Trilho Internacional dos Apalaches (3.500 quilómetros de caminho, que atravessam, por exemplo, 14 estados dos EUA). O percurso português consiste numa Grande Rota (cerca de 37 quilómetros), situada integralmente na serra do Muradal, em Oleiros. Chama-se Grande Rota Muradal-Pangeia (alusão, respetivamente, à montanha quartzítica e ao grande continente que há 200 milhões anos reunia todo o espaço terreno).

Assustado? Não é caso para tanto. Sim, o território merece que todos os minutos ali passados sejam bem empregues, razão pela qual é possível escolher um dos quatro percursos mais curtos da Grande Rota (mais informação aqui). Leve consigo esta certeza: haverá momentos em que, para parafrasear o poeta Al Berto, as pontas dos dedos dos pés quase tocarão a terra, e haverá momentos em que as pontas dos dedos das mãos quase tocarão o céu.

Para abrir o apetite, eis uma breve descrição do percurso (breve, porque o que vale mesmo, mesmo a pena é trilhá-lo).

Andar a serpentear

O serpentear permanente pela linha de cumeada que se estende ao longo da Serra do Muradal encontra, nas zonas de maior elevação, miradouros que mostram paisagens de cortar a respiração, quase sempre com o rio Zêzere aos nossos pés. Lá no topo das cristas rochosas, dos miradouros (Picoto, Cardal, Penha Alta, Zebro, Vilar ou Mosqueiro) avista-se com nitidez as Serras da Estrela, Gardunha, Açor, Alvelos, Cabeça da Rainha e Monsanto. É aqui que os dedos das mãos quase tocam o céu. Abre-se o ângulo da nossa vista e são os bosques verdejantes, ladeados por imensos cursos de água, que nos atacam as emoções.
Os mais afoitos podem escolher a "via ferrata" (um percurso de 150 metros cravado na parede rochosa), ou andar pelos trilhos de BTT, ou simplesmente e lentamente pedalar pelos extensos cumes aplanados.

O património geológico não se fica atrás, no que à grandeza diz respeito. A Pedreira da Penha Alta, o Picoto do Muradal, a Fraga da Água D"Alta (já lá iremos) e o Cabeço Mosqueiro são guardiões de fósseis que explicam com0, ao longo de 400 milhões de anos, se formaram, a partir de areia fina, os pedregulhos de quartzito.

O "quadro" é todo pintado com cores de encher o olho. Há um extenso verde com pigmentos amarelos, vermelhos, rosas e brancos. Há uma maravilha, portanto.

Atrás da água

Depois disto, siga atrás do elemento água. Desça à Cascata da Fraga de Água D"Alta, ainda em Oleiros, onde três véus de água esperam que nele enfie as mãos, para de seguida refrescar a cara. Este é um sítio de beleza incrível. Como incrível é o Poço de Fervença, no sopé da serra do Muradal. Uma cascata enche o poço: meta os pés na água fresca. Este local é lindo, é revigorante e é idílico.

Cansado? A praia fluvial de Álvaro espera por si. Aos pés de uma das "aldeias brancas" da Rede das Aldeias de Xisto estende-se a refrescante albufeira da Barragem do Cabril e as suas infraestruturas fluviais, um lugar para ir a banhos, ou simplesmente para se apreciar a paisagem ondulante de montes e serras que se alonga até à Serra Estrela.

Portas adentro

Final da tarde. Ainda há tempo para dar um pulo a Proença-a-Nova e visitar a torre metálica que Siza Vieira, o nosso "prémio nobel" da Arquitetura, desenhou na Serra das Talhadas. São 360 graus de céu ao nosso dispor, quando subimos 16 metros, para alcançar o ponto mais alto da estrutura. A vista é deslumbrante.

O astro rei já desce para merecido descanso. Há um barco de recreio à sua espera em Vila Velha de Ródão. É nele que, creia, tem que ver o pôr-do-sol, já para lá das Portas de Ródão. A água rasgou uma imponente garganta na crista quartzítica da serra do Perdigão. É dessa paisagem portentosa que deve tirar proveito. Terá por companhia o correr do Tejo. E a maior comunidade de grifos da Península Ibérica. Desfrute: está num lugar ímpar.

DIA 2

Depois de retemperadas as forças com uma das (muitíssimas) iguarias típicas da Beira Baixa e de uma noite de descanso (veja as possibilidades aqui), é tempo de não perder tempo. Siga para a simplesmente incrível aldeia histórica de Monsanto, em Idanha-a-Nova. Há de ter ouvido falar dela recentemente: a prequela da nova temporada da famosa série "Guerra dos Tronos" poderá ser gravada aqui.

Perceberá bem o porquê da (alegada) escolha, quando serpentear pelas estreitas ruas de Monsanto. Tudo ali remete para tempos de antanho. Tudo ali impressiona. José Saramago impressionou-se: "De pedras julgava o viajante ter visto tudo. Não o diga quem nunca veio a Monsanto", lê-se nas paredes de um café da aldeia. É a mais pura das verdades. Tudo em Monsanto é feito de pedregulhos e rochedos com colossais dimensões. A dada altura, verá como esta pergunta se impõe: foram as casas que nasceram no meio das fragas, ou as fragas que nasceram no meio das casas?

Fernando Namora, o escritor que aqui exerceu medicina durante dois anos, carimbou-a assim: "a nave de pedra". A dimensão dos penedos é tal que chega a ser estranha, Mas depressa se entranha. Na verdade, há trilhos que não permitem inversão de marcha, porque estamos sempre à espera de encontrar algo ainda mais soberbo do que o já visto.

Não apetece sair daqui, até conhecer todos os cantos e recantos da aldeia. Saia, contudo, porque à sua espera está outro portento.

Um oásis no rochedo

Penha Garcia, em Idanha-a-Nova, é outro dos múltiplos lugares da Beira Baixa em que a prequela da "Guerra dos Tronos" poderia ser gravada sem dificuldade.
O Castelo, empoleirado em cima da Penha, é prova da posição privilegiada deste lugar, onde se fixou um povoado neolític0, mais tarde transformado em castro lusitano e posteriormente numa povoação romana. O rio Pônsul foi chamariz para quem no seu leito procurou ouro. De tudo há vestígios, mas o que mais impressiona são os imponentes fraguedos e a descida até aos moinhos impecavelmente guardados pelo senhor Domingos. Aí chegado, procure os icnofósseis, marcas cravadas na rocha com 480 milhões de anos, e, de seguida, mergulhe num oásis que nasceu entre os rochedos: a Zona de Lazer do Pêgo.

Cansado? Descanse, antes de voltar a casa. Rume à Zona de Lazer de Benquerença (Penamacor), para se espantar uma última vez (antes de regressar à Beira Baixa, claro está). Espaçosa e infraestruturada, carregada de árvores e sombras, com um gigante relvado e impecavelmente cuidada, intrinsecamente ligada à natureza que a rodeia. A água, essa, só pede mergulhos.

Ah, sim: se quiser fazer BTT, birdwatching, parapente e outras atividades que puxam pelo coração, esteja à vontade. Basta procurar aqui.

Boa viagem de regresso a casa. E volte sempre.

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