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Três dias na Beira Baixa: esqueça o GPS, se faz favor

Três dias na Beira Baixa: esqueça o GPS, se faz favor
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De Castelo Branco a Idanha-a-Nova, passando por Penamacor. Se vem aí um fim-de-semana alargado, ou se lhe sobram três dias de férias, eis uma proposta irrecusável. Na apelativa Beira Baixa, o que há para ver e fazer não carece de GPS. Permita, apenas, que o território o confronte e que o caminho se mostre.

"Não são os viajantes que vão ao encontro das estradas, mas as estradas
que não desistem de vir, sempre de novo, ao encontro dos viajantes."

Cardeal José Tolentino de Mendonça

Dia 1 - Castelo Branco

A única coisa que faz sentido quando entramos na sub-região na Beira Baixa é usar o mínimo de tecnologia e o máximo dos nossos sentidos. Confiar nos nossos olhos, no nosso tato e na nossa audição, entregarmo-nos despidos de GPS à aventura, permitir que o caminho se mostre é o melhor modo de sermos confrontados pelo território. A cidade de Castelo Branco é um excelente exemplo de como a viagem deve ser apercebida pelos nossos pés.

Sem roteiro pré-definido, reparará que lá no topo da capital de distrito há um castelo a pedir visita. Localmente conhecido por Castelo dos Templários, foi fortaleza durante a Idade Média (há vestígios datados da Pré e Proto- História), fechando um cerco de muralhas e torres. Percebe-se bem porquê: era preciso defender o vale do rio Tejo - e esta é mais uma fortificação que integrava um sistema extenso de travão à ambição dos forasteiros. Na alcáçova situava-se o Palácio dos Alcaides e a Igreja de Santa Maria do Castelo.

Olha-se em redor. Lá em baixo, a Torre do Relógio, elemento incontornável da paisagem (e até da identidade) albicastrense bate horas, em jeito de chamada. A localização da Torre coincide com a expansão da cidade: está junto a uma antiga torre da muralha exterior, adaptada para as atuais funções já no séc. XIX.

A tesoura no lintel

Siga caminho. A sucessão de Portados Quinhentistas espalhados pela Zona Histórica obrigá-lo-á a parar. Está perante a chamada "arquitetura de parcos recursos": casas com lintéis e portados com pormenores decorativos indicam o ofício ou o estatuto social do proprietário. Uma tesoura cravada no lintel denuncia a habitação de um alfaiate. A placa que tem inscrita Rua dos Peleteiros é a prova de que ali se vivia do corte de tratamento das peles. O afeiçoamento das ombreiras (chanfros) são mais um elemento caraterístico dos belíssimos portados.

Logo ali ao lado, nas imediações da Praça de Camões, a História mistura-se com o contemporâneo. E a "culpa" é de Manuel Cargaleiro, pintor e ceramista de topo, nascido em Vila Velha de Ródão. O espólio está dividido por dois espaços: no fantástico Solar dos Cavaleiros verá uma incrível coleção de cerâmica; no magnífico edifício moderno está patente uma exposição com centena e meia de obras que são prova da inesgotável criatividade de Manuel Cargaleiro, a que se junta uma área de cerâmica contemporânea com exibição de obras dos mais prestigiados artistas nacionais e internacionais, entre eles Pablo Picasso.

Para ver tudo com olhos de ver, quando chegar ao fim serão horas de almoçar. As hipóteses são muitas e boas. Veja aqui o que o aguarda.

Atenção ao feitiço

Reconfortado o estômago e reconquistadas as forças, prepare-se para um feitiço. Porque é um encantamento ver as mãos das bordadoras a juntarem linho à seda no Centro de Interpretação do Bordado. Ponto a ponto, todos obrigatoriamente dados com exatidão, o que dali sai é uma maravilha, um luxo. As mais antigas colchas de bordado de Castelo Branco estão datadas do séc. XVIII. O trajeto até aos dias de hoje, o significado da simbologia usada, o percurso da sementeira do linho à tecelagem pode ser apreciado neste espaço.

Não é menos extraordinário o que se pode ver no Museu Francisco Tavares Proença Júnior, criado em 1910 pelo arqueólogo que lhe deu o nome. Há um conjunto de artefactos pré-históricos e das épocas romana e medieval que resultam das escavações feitas por Francisco Tavares, homem para quem a identidade e a pertença eram palavras cheias. Além de incríveis colchas típicas de Castelo Branco, o acervo integra seis verdadeiros tesouros: os três menires de S. Martinho; a Fíbula de Tesouro de Monsanto; a estatueta romana de Idanha-a-Velha e a gravura rupestre de Vilas Ruivas.

Finalizar o dia com um passeio no Jardim do Paço Episcopal é uma excelente escolha.
A escadaria de 33 graus (não por acaso o número é o mesmo da idade que Cristo tinha quando morreu), guardada pelos quatro doutores maiores da Igreja ocidental (S. Ambrósio, S. Agostinho, S. Jerónimo e S. Gregório), capta depressa a atenção pela majestosidade. Mas tudo em volta é uma beleza (quase) indizível. Anjos e arcanjos, hortas e jardins, cinco lag0s com repuxo (em alusão às cinco chagas de Cristo), um incrível percurso icnográfico que só pode ser desvendado no local... Não há, porventura, melhor forma de terminar o dia. E sem necessidade de GPS.

Decida agora se quer pernoitar aqui. A nossa sugestão é que siga para Penamacor. Mas a escolha é sua. Veja aqui outras possibilidades.

Dia 2 - Penamacor

Se seguiu a nossa sugestão, seja bem-vindo a Penamacor.
Vila desde o século XIII, conserva de forma absolutamente impecável a Torre de Menagem. Do miradouro avistam-se com nitidez as serranias de Penha Garcia, as Serras da Malcata e da Gardunha e a elevação de Monsanto. Passear no chamado "Cimo de Vila" é calcorrear a história. Exemplo: no lintel da antiga Casa da Câmara, as esferas armilares e as chaves representam a proteção do território; a espada cristã está ali para combater o "mal"; o enigmático crescente lunar denuncia a alegada presença islâmica.

Desça até ao Museu Municipal, o segundo mais antigo da Beira Baixa (1916). A sepultura romana parece ter meia-dúzia de anos, tal é o estado em que se encontra. A verdade é que remonta ao séc. I (ou II). O repositório de memórias ancestrais está organizado com cuidado extremo. Os apontamentos de arte sacra são notáveis. E há, ainda, uma mostra de exemplares da riquíssima fauna local embalsamados, entre o lince ibérico, outrora indelével símbolo deste território.

Alerta aos sentidos

Também já não encontraremos este belíssimo espécime na Serra da Malcata. Encontraremos outras e variadas maravilhas. Para quem aprecia aventura, o passeio pode fazer-se de jipe serra acima. Mas, em boa verdade, é caminhando que os caminhos e os trilhos vêm ao encontro do viajante, para parafrasear o Cardeal Tolentino de Mendonça.

Aqui, sim, é que o GPS só tende a atrapalhar.

A mescla exuberante de fauna e flora puxa por todos os sentidos. Mistura-se o cheiro esteva, a urze, a carqueja, a madressilva e a rosa-albardeira com a beleza dos bosques carregados de amieiros e freixos, salgueiros brancos e pretos que estreitam amizade com as linhas de águas que lhes fazem companhia. Combina-se, caminho fora, uma panóplia infindável de cores (amarelos, roxos, brancos, verdes, rosas, castanhos, vermelhos e dourados de tonalidades várias) com a presença constante do abutre-negro, da cegonha-preta, do rouxinol-do-mato e do corvo. Medronhais densos e fechados ladeiam as inúmeras barrocas da área centro-sul da Serra. Daqui não apetece sair. Este sítio é um suplemento de alma.

E a sair é para a extraordinária Zona de Lazer de Benquerença, modo de terminar o dia como todos os dias deveriam terminar: com um surtido de (boas) emoções à flor da pele.

O relvado que temos à nossa disposição é simplesmente fantástico: enorme e bem cuidado, carregado de árvores e sombras a pedir leitura e descanso, namoro e brincadeira, amizades reforçadas e convívio com os que nos acompanham nos solavancos da vida. A água, limpinha, translúcida, refresca o ambiente em redor e reclama mergulhos. Há, ali perto, um moinho para espreitar (é justamente por isso que a zona de lazer é conhecida como "O Moinho"). Será difícil encontrar melhor local para terminar um dia inolvidável.

Pode jantar e seguir para o que resta de jornada. Ou procurar aqui alternativas. Que as há para todos os gostos.


Dia 3 - Idanha-a-Nova

As camadas de prazer acumuladas nos primeiros dois dias deste fim-de-semana alargado quadram bem com o que segue.

Se estamos num território de onde sai, para sorte de todos os apreciadores, um dos azeites que pede meças com o que de melhor se faz Mundo fora, seria desperdício não visitar o Lagar de Varas de Idanha-a-Velha. Uma das candeias ali expostas mostra a data de 1895, mas os estudiosos garantem que num dos blocos das paredes das tulhas, entretanto desaparecido, estava inscrito o ano de 1755. Seja como for, o amplo edifício térreo que guarda memórias em três salas (sala das tulhas e pio, sala das prensas de varas e sala da bagaceira) merece visita demorada, para tomarmos boa nota de como se fazia este líquido de oiro, que permanece fonte importante de rendimento no território.

Museu a céu aberto

Acresce que, logo ali ao lado, há um conjunto arquitetónico e arqueológico de monta, classificado como monumento nacional. A Sé, a Torre dos Templários e o pavilhão epigráfico são visita obrigatória. Não há qualquer exagero, quando se chama a este sítio "um museu a céu aberto".

Há mais dois "museus a céu aberto" para conhecer em Idanha.

Do primeiro diz-se ser a mais típica aldeia de Portugal. A nomenclatura cai bem à aldeia histórica de Monsanto. É bem certo que o debutante tende a maravilhar-se com a beleza do óbvio. Ocorre que em Monsanto a beleza é assustadoramente bela, tamanha a imponência das fragas que nos acompanham a todo o momento, exigindo respeito. Ziguezaguear por esta "nave de pedra", como lhe chamou o escritor Fernando Namora (exerceu medicina em Monsanto durante dois anos) é sensação única.

As fragas entram casas adentro - ou serão as casas que entraram fragas adentro? Subir a uma rocha é passo (quase) certo para subir à seguinte, porque a adrenalina puxa-nos para ir mais além, onde se poderá vislumbrar ainda melhor o horizonte. E, sim, bem lá no topo da aldeia o céu parece pertinho. Sensacional.

Outro portento? Sim

Não apetece sair daqui, até conhecer todos os cantos e recantos da aldeia. Saia, contudo, porque à sua espera está outro portento.

Penha Garcia junta, igualmente, o bruto ao belo. As convulsões tectónicas transformaram a areia depositada no fundo do mar em rocha, levantando-a na vertical. A água que repousa na barragem do rio Pônsul prepara o olhar para o que se segue: os fraguedos são imponentes, a descida parece assustadora, mas os impecáveis moinhos guardados pelo senhor Domingos e os icnofósseis impõem a caminhada: seguimos pelos trilhos das rochas por onde, anos a fio, passaram os burros carregados de trigo e centeio para fazer a farinha. E eis-nos perante as "cobras pintadas", como lhe chamavam os mais velhos: 36 formas de comportamento animal que remontam há 480 milhões de anos.

Não termine a visita sem apreciar a beleza de um lago sustentado por uma queda de água, na zona de lazer do Pêgo.

Agora pense: precisou do GPS?

Mais informação em beirabaixatour.pt

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