
Planetário do Porto
Crónica. No Planetário do Porto é possível tocar um fragmento da Lua, ver imagens de galáxias e assistir a um filme de animação que conta às crianças as maravilhas do Universo.
Uma visita ao Planetário do Porto deixa-nos a pensar na pequenez da nossa existência. Levei lá o meu filho de cinco anos para ver o filme "Há formas no espaço". Junto à entrada, está um longo corredor cheio de imagens, que tentei traduzir para quem ainda não sabe ler. A instalação dá-nos conta das maravilhas do Universo. Chamou-me a atenção um fundo azul, rasgos alaranjados, uma das imagens mais icónicas do espaço - a Nebulosa da Águia e os Pilares da Criação. Estes "pilares" são na verdade estruturas de gás e poeiras onde ocorre a formação das estrelas. A imagem foi captada em 1995 pelo Telescópio Espacial Hubble. A Nebulosa da Águia está a 6500 anos-luz, o equivalente a mais de 60 triliões de quilómetros de distância. "Se usarmos muitas escadas, chegamos lá?". Aterrei para explicar ao meu filho que as estrelas só se podem ver e sugeri-lhe imaginar o que seria tocar-lhes. "E o pai consegue chegar?".
Um grande painel mais adiante revela o espetro do Sol, com informação captada a partir do espetrógrafo ESPRESSO, que está instalado no deserto de Atacama, no Chile. "E ao sol, podemos chegar? O que são aquelas pedras gigantes?"
Num amplo átrio do edifício, localizado no Campo Alegre, há réplicas de grandes meteoritos que caíram na Terra, e que servem de montra para contar a história destas rochas, de que são feitas, se são perigosas, onde foram encontradas. O melhor é que podemos tocar alguns fragmentos. Com a ponta do dedo é possível sentir uma brecha feldspática da Lua, que caiu na Terra, foi comprada em Marrocos e levada depois para uma universidade na Escócia - tanta aventura numa pequena amostra. Nesta exposição há vários fragmentos a explorar, já que ao longo das várias missões da Apollo, foram recolhidos quase 400 quilos de material lunar, que estão espalhados por museus de todo o Mundo, alguns estão literalmente ali à mão, no Planetário do Porto.
Mas, deixemos as pedras. O espetáculo imersivo infantil "Há formas no espaço" é projetado numa cúpula. As cadeiras ficam bem reclinadas enquanto se explica aos mais pequenos o sistema solar. "Os planetas têm a forma de uma bola de futebol ou de uma piza?". "Bola de futebol", responde um coro de menos de metro e meio. Plutão já não está no mantra que aprendi na primária, - Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno - e junta-se agora aos planetas-anões Ceres, Eris, Makemake e Haumea.
Quando o filme de animação termina, a plateia fica sob um céu muito escuro, pontuado de estrelas. Desenham-se as ursas, maior e menor, e aprende-se a contar os pontinhos brilhantes até identificar a estrela polar. Se a virmos, sabemos que estamos a caminho do Norte, a direção certa.

