
O restaurante Galé dos Manos, junto à Mata de Monsanto, é preciosidade com que poucos dão. Animam-no o sempre jovem Jaime Neves e sua genial mulher, chef Isabel.
O espaço não é muito e não alberga mais do que três dezenas de comensais. Mas é lugar de grande prodígio culinário. Volto vezes sem conta a este incrível lugar, perto do qual passei a minha juventude. Os meus pais moravam perto, em S. Domingos de Benfica. Foi contudo tardiamente que descobri o Galé dos Manos, assim chamado por ser mesa de reunião de amigos muito chegados, como irmãos. Na verdade, assim continua a ser. A partir de certo ponto, tornamo-nos família.
É sempre certo que aqui a refeição começa com queijinho fatiado e um jarro de vinho branco. A linguiça frita é muito bem feita e ocasionalmente rissóis e croquetes abrilhantam a fase entradeira. Os pratos de peixe são variados. São maravilhosos os filetes de peixe galo com arroz de lingueirão, peixe de gabarito e fritura acima de toda a suspeita.
A chef Isabel tem um jeito especial, que não cabe neste mundo tentar sequer perceber como faz. Mas tudo acontece ali, sem quaisquer véus ou disfarces. Produz-se uma fantástica massada de tamboril com camarão, que dá bem para duas pessoas. O arroz de peixe com camarão é do outro mundo, pergunto-me sempre como é possível que aconteça aqui o que noutras casas demora mais de um dia a conseguir. É o lado mágico desta Galé, e tudo o que temos a fazer é gozá-lo bem gozado, que a vida é curta.
À segunda há bacalhau à lagareiro com batata a murro, que se devora como se de uma guloseima se tratasse. Às quartas sai bacalhau com natas que nos põe a pensar por que não é assim em toda a parte. A resposta simples: porque Galé dos Manos só há uma. Adoro as ovas frescas grelhadas, servidas com batata cozida e legumes ao lado de bom azeite. Com o jeito da chef Isabel, sabem mesmo pela vida.
O bacalhau à Brás, também ele brilhante, devia ser rebatizado como bacalhau à D. Isabel, tal o aprumo culinário que apresenta. Os pratos de carne são variados e à sexta há o melhor arroz de pato de Lisboa. A outra pérola da casa é a galinha de cabidela, servida à terça.
A vezeira alheira grelhada com ovo e batata frita aqui na Galé configura perdição e rapidamente passa a vício. E sou fã das iscas de porco à portuguesa que saem das mãos abençoadas da genial chef. As sobremesas seguem a linha caseira, o arroz doce e a mousse de chocolate são imbatíveis. Não se fica muito tempo até voltar para mais uma grande refeição do mais puro prazer.
A Galé dos Manos
Estrada do Calhariz de Benfica, 182, Lisboa
Tel.: 217 742 817
Das 12h e 15h e das 19h30 às 21h30. Fecha domingo e jantar de sábado
Preço médio: 17 euros
