
O restaurante que dá pelo nome de Zé Manel dos Ossos mantém intacta a sua boa fama, na baixa de Coimbra.
O fundador, José Manuel Ribeiro Franco, que em 1959 deu nome e boa fama a este grande lugar já não está entre nós, mas tomou conta do espaço boa gente, que vai manter viva a tradição. Heráclito Teixeira é a frente visível do negócio, é a ele que cabe assumir a função de contacto pessoal com todos os que se aproximam desta casa única.
Os irmãos Bruno e Ricardo Benedito, nascidos e criados na cidade do conhecimento, estão a mostrar verve e vontade de continuar o negócio. Os três, Heráclito na sala, Bruno na gestão e Ricardo na cozinha são os sócios que detêm as rédeas do negócio, que todos podemos e devemos frequentar. O nome da casa deve-se aos ossos da suã, ou espinhaço que é ponto de honra da casa desde o primeiro instante. Mas há mais, muito mais para explorar.
Para início da empreitada, dispomos por exemplo de queijo de ovelha curado, que petiscamos com o excelente pão do dia. Há morcela e chouriço na brasa, para debicar com detalhe e tempo. E da cozinha saem inefáveis petingas de escabeche, todo um tratado culinário. Abre-se uma garrafa de vinho branco ou tinto, consoante a vontade, e estamos com a refeição quase cumprida. Os cogumelos aporcalhados, assim chamados por tradição, são cogumelos selvagens salteados na sertã, aprimorados por temperos de receita própria.
A tibornada de bacalhau com batata a murro merece a maior atenção, e claro que recomendo, como prato principal de peixe. É feita com azeite de gabarito, e o alho dá-lhe muita nobreza. A carne domina o cardápio, com propostas de grande nível. São irresistíveis as barriguinhas na brasa com molho segredo, entremeada muito boa levada a um final feliz. Faz-se um fantástico entrecosto de porco na brasa, convertido em manjar de luxo pela ação do fogo. A feijoada de javali é divinal, apetece repetir vezes sem conta. Há uma maravilhosa chanfana à moda da aldeia, produzida com o recomendável toque rústico da província e abrilhantada pela seleção cuidada de carne de cabra velha, como manda a regra. E há um belíssimo bife de novilho na brasa, processado no ponto que desejamos.
Adoçamos a boca e o estômago na etapa final da refeição com o doce de amêndoa típico da região. A mousse de chocolate da casa é alternativa muito válida. E a regionalíssima queijada de Tentúgal cativa-nos a alma para sempre. O Zé Manel dos Ossos está como novo e é ponto de visita obrigatório numa próxima ida a Coimbra.
Zé Manel dos Ossos
Beco do Forno, 12, Coimbra
Tel.: 239 823 790
Das 12h às 15h e das 19h30 às 22h30. Encerra domingo e jantar de sábado.
Preço médio: 14 euros
Prato do dia é um guia Evasões/TSF pelos restaurantes de Portugal. No ar de segunda a sexta, depois do meio-dia e das 18 horas. Também disponível em tsf.pt.
