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Castelo Branco, 26 Fev (Lusa) - Em Portugal há um curso superior público de acordeão que já formou três músicos sem razão de queixa por fazerem do instrumento ganha-pão mas que deparam ainda com reacções de espanto quando dizem no que são formados.
Os três vão partilhar estas experiências com o público na sexta-feira, no debate "O Fole nas salas de concerto" , marcado para as 18:00 na Biblioteca Municipal de Castelo Branco. Faz parte do 3º Festival e Concurso de Acordeão de Castelo Branco que hoje arranca.
Os concertos são aquilo de que mais gostam, mas as aulas é que os mantêm ocupados, contaram à Agência Lusa dois dos três licenciados que o curso do Instituto Politécnico de Castelo Branco já formou.
"Tem existido bastante trabalho, sobretudo a leccionar", conta Carisa Marcelino, 24 anos.
Em 2007, terminou o curso de Música - variante de Instrumento, com opção de acordeão, na Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART). Mas desde criança colecciona prémios e participações em competições internacionais.
"Apesar de gostar bastante de leccionar, queria tocar mais vezes ao vivo", refere. Mas tanto ela como o primo, Horário Pio, 33 anos, não são procurados para espectáculos mais do que "quatro a cinco vezes por ano".
"O acordeão ainda é pouco reconhecido como instrumento de concerto", explica o acordeonista, que também desde criança se habituou a lugares cimeiros em concertos de competição e que terminou a licenciatura em 2006.
"Mesmo quando falamos com outros instrumentistas, desconhecem o que dá para fazer com o acordeão. E desconhecem que há um curso superior", assinala Carisa.
"Cabe-nos a nós mudar este panorama". Nas escolas onde dão aulas, tentam criar "oportunidades de concertos, muitas vezes a troco de nada", refere Horácio. Mas acreditam que ver o acordeão no palco é vital para os alunos.
Afinal, o instrumento é como "uma pequena orquestra". "Com ele temos um grande potencial de registo, vários timbres", explica Carisa, para concluir que "dá para fazer um pouco de tudo"
Seja música tradicional, peças de concerto, transcrições de orquestra, "é um instrumento bastante versátil", que esconde 18 quilos sob dois grandes teclados, separados por um imenso fole.
Horácio e Carisa lidam com 20 a 25 alunos por ano lectivo, em aulas individuais (número que pode crescer em classes de conjunto) espalhados por cinco a seis escolas pelo país para cada um.
"Somos um pouco saltimbancos, mas tenho muito prazer em ir para outros locais e criar algo de novo com o acordeão", confessa Horácio. Em conservatórios, academias e escolas de música oficiais encontra sempre "muitos miúdos interessados".
"O acordeão tem futuro e está a nascer como instrumento de concerto", antevê o músico. "Eu não sei fazer mais nada. O acordeão é o meu ganha-pão e espero que assim seja para o resto da vida".
Horácio Pio e Carisa Marcelino vão orientar sessões didácticas para crianças dos 4 aos 9 anos no âmbito do Folefest, que vai juntar acordeonistas nacionais e estrangeiros.
Para hoje, às 21:30, está marcado um concerto com Vladislav Pligovka, vencedor da 'Coupe Mondiale' de acordeão de 2008, realizada na Escócia. Sexta-feira, à mesma hora, actua o Trio Lusíada.
As interpretações para concurso decorrem sábado, a partir das 10:00, com o concerto dos laureados e entrega de prémios marcados para as 21:30. Todas as actividades têm entrada livre e decorrem no edifício do Governo Civil de Castelo Branco.
LFO.
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