Criador do ChatGPT defende agência global para regular inteligência artificial

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o ceo da OpenAI, Sam Altman, e o CEO da Anthropic, Dario Amodei
Foto: AFP
O fundador e diretor-executivo da Open AI, que criou a ferramenta de inteligência artificial (IA) ChatGPT, entre outras, defendeu hoje ser urgente a regulamentação daquele setor específico das tecnologias de informação, numa cimeira internacional em Nova Deli.
"Não estou a sugerir que não precisamos de regulamentação ou de proteções. Precisamos delas urgentemente, como para qualquer outra tecnologia com tamanho poder", disse o empresário norte-americano Sam Altman. Segundo o responsável, pode vir a dar-se o caso de que o Mundo precise de algo como uma entidade de regulação, à semelhança da Agência Internacional de Energia Atómica, para garantir a coordenação internacional em matéria de IA".
"A democratização da IA é a melhor forma de garantir a prosperidade da Humanidade", continuou, defendendo que "a centralização desta tecnologia, nas mãos de uma única empresa ou de um único país", pode conduzir "à ruína".
A quarta edição daquela cimeira de Nova Deli reúne, com o patrocínio do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, líderes políticos, empresários, altos responsáveis e peritos daquela área de atividade. Altman destacou que "a tecnologia continua a revolucionar o mercado de trabalho, mas" que há "sempre algo novo e melhor para fazer".
"Os próximos anos serão um teste para o Mundo, à medida que esta tecnologia avança a um ritmo acelerado. Podemos optar por dar mais poder às pessoas ou por concentrar esse poder", declarou ainda.
Modi, Macron e Guterres defendem acesso universal à IA
Na mesma cimeira em Nova Deli, Narendra Modi, António Guterres e Emmanuel Macron defenderam o acesso universal à tecnologia e a implementação de medidas para regular a sua utilização. "A IA deve pertencer a todos", e o seu futuro não pode ser deixado "ao sabor de alguns multimilionários", alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, dirigindo-se a uma plateia de dirigentes e executivos de topo do sector tecnológico.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, defendeu ainda que a tecnologia seja "acessível e inclusiva". Por sua vez, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a Europa, "um espaço seguro", está "determinada a continuar a ditar as regras do jogo e a fazê-lo com os nossos aliados, como a Índia".
Entre os oradores nas discussões de hoje estavam o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o CEO da Google DeepMind, Demis Hassabis, mas não o cofundador da Microsoft, Bill Gates, cujo nome veio a público no escândalo do criminoso sexual Jeffrey Epstein. "Após uma consideração cuidadosa, e para garantir que a atenção se mantém focada nas principais prioridades da cimeira da IA, o senhor Gates não fará o seu discurso de abertura", disse a fundação que tem o seu nome.
A cimeira deverá terminar com uma declaração sobre a regulamentação futura do uso da IA.
Impulsionada pelo forte desempenho das empresas tecnológicas no mercado bolsista, a revolução em curso está a gerar preocupações sobre o impacto no ambiente, no emprego, na criação artística, na educação e na informação. Um dos principais receios diz respeito às consequências da IA no mercado de trabalho, particularmente na Índia, onde milhões de pessoas trabalham em 'call centers' e serviços de suporte técnico.
Com mil milhões de utilizadores de internet, a Índia orgulha-se de ser o primeiro país em desenvolvimento a acolher esta cimeira, a quarta dedicada a esta tecnologia, que teve início na segunda-feira.
Na terça-feira, o ministro da Tecnologia da Informação da Índia, Ashwini Vaishnaw, anunciou que o país espera atrair um total de 200 mil milhões de dólares (170 mil milhões de euros) em investimentos tecnológicos nos próximos dois anos, principalmente para projetos de IA.
Este valor inclui os 90 mil milhões de dólares (76 mil milhões de euros) já anunciados no ano passado para a construção de centros de dados pela Google, Microsoft e outras empresas, atraídas pela força de trabalho abundante, qualificada e de baixo custo da Índia.
Os gigantes tecnológicos globais aproveitaram a oportunidade para anunciar novos acordos, bem como investimentos e projetos de infraestruturas para este país do Sul da Ásia, que está prestes a tornar-se a quarta maior economia do mundo.
A OpenAI e a indiana Tata Consultancy Services anunciaram hoje a construção de um centro de dados na Índia.
