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Cientistas "tiraram" 30 anos à pele de uma mulher

Cientistas "tiraram" 30 anos à pele de uma mulher

O primeiro passo está dado: cientistas de Cambridge conseguiram rejuvenescer células humanas. A investigação ainda está no início, mas os objetivos de longo prazo estão traçados: conseguir tratar doenças que surgem com o avançar da idade e permitir que as pessoas envelheçam de forma mais saudável.

Investigadores britânicos conseguiram rejuvenescer as células da pele de uma mulher em 30 anos. Agora, acreditam que podem fazer o mesmo noutros tecidos do corpo humano. O grande objetivo? Desenvolver tratamentos para doenças que normalmente surgem associadas à idade, como a diabetes, patologias cardíacas e distúrbios neurológicos.

Segundo explica a BBC, a tecnologia é baseada nas técnicas usadas para criar a ovelha Dolly, clonada há mais de 25 anos. Wolf Reik, diretor da equipa de cientistas do Instituto Babraham, da Universidade de Cambridge, não esconde o entusiasmo. "Temos sonhado com isto. Muitas doenças vão piorando com a idade e pensar em ajudar as pessoas desta forma é mesmo emocionante", referiu.

O estudo, publicado na revista científica eLife, ainda está numa fase inicial, havendo várias questões científicas a resolver antes de se poder passar à fase clínica. No entanto, Wolf Reik garantiu que demonstrar pela primeira vez que o rejuvenescimento celular é possível foi um passo de extrema importância.

Uma técnica que surgiu há mais de 30 anos

As origens da técnica utilizada remontam à década de 1990, quando uma equipa do Instituto Roslin, em Edimburgo, na Escócia, desenvolveu um método para transformar uma célula da glândula mamária retirada de uma ovelha adulta num embrião. Assim foi criada a ovelha Dolly.

O objetivo, na altura, não era propriamente o de criar um clone, mas sim células-tronco embrionárias humanas, que, esperavam os cientistas, pudessem ser transformadas em tecidos específicos: músculos, cartilagens e células nervosas.

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A técnica foi aperfeiçoada em 2006 por Shinya Yamanaka, professor da Universidade de Kyoto, no Japão, surgindo um novo método, chamado IPS (que envolve a adição de substâncias químicas a células adultas ao longo de cerca de 50 dias).

O que os cientistas liderados por Wolf Reik fizeram, agora, foi utilizar a técnica IPS em células da pele de uma mulher de 53 anos mas reduzindo o banho químico para 12 dias. O resultado foi surpreendente: as células não se transformaram em células-tronco embrionárias mas rejuvenesceram, comportando-se como se fossem de alguém de 23 anos.

"Lembro-me do dia em que recebi os resultados e não queria acreditar que algumas delas estavam 30 anos mais jovens. Foi um dia emocionante", descreveu Dilgeet Gill, outro elemento da equipa.

Segundo explicou Reik, o objetivo de longo prazo é fazer com que as pessoas possam "envelhecer de forma mais saudável". Uma das primeiras aplicações poderá ser desenvolver medicamentos para rejuvenescer a pele de pessoas idosas em partes do corpo que foram cortadas ou queimadas, de forma a acelerar a cicatrização. O passo seguinte será usar a mesma tecnologia noutros tecidos como músculos, células sanguíneas e até no fígado.

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