Assédio

YouTube e as crianças: comentários sexuais invadem a rede

YouTube e as crianças: comentários sexuais invadem a rede

O YouTube tornou-se num dos mais importantes fornecedores de entretenimento para crianças, que lá podem encontrar desde os desenhos animados favoritos, os cantores da moda e as estrelas do século XXI, os youtubers. Nem tudo será apropriado para a idade, mas o problema não reside apenas aí.

No início do ano, várias denúncias - que nunca se conseguiram provar - davam conta de que uma "rede pedófila" estava a atuar no YouTube, com recurso a vídeos aparentemente inocentes que envolviam crianças.

Nos comentários de vídeos que mostravam menores em situações completamente banais, como a imitar um cantor ou a dançar, surgiam mensagens explícitas ou com ligações a organizações pró pedofilia. Ainda que esses comentários e ligações existam, o uso da expressão "rede" neste caso seria utilizado de forma abusiva, escrevia a BBC em fevereiro.

Esta semana, o tema Crianças vs. YouTube voltou a ser falado, depois de o canal "Toy Freaks" ter sido encerrado pela Google, por ter gerado uma grande controvérsia devido aos conteúdos que apresentava. No canal, um pai publicava vídeo com as filhas em situações descritas como "na fronteira do abuso".

Por exemplo, uma das filhas perdeu um dente e o pai publicou imagens da menina com a boca ensanguentada; em outros vídeos, as crianças eram filmadas a chorar ou a tomar banho quando o pai lhes despeja um balde com sapos na água. Aparentemente, todos os vídeos obedeciam a um guião e uma forma de humor, mas os utilizadores do site perderam a paciência e denunciaram o canal.

Fonte oficial do YouTube em Portugal revelou ao JN que encerrou o canal por este violar as políticas de utilização e a reafirmou que leva "a segurança infantil extremamente a sério".

Recorde-se que o YouTube impõe restrições de idade, mas elas nem sempre são cumpridas. Para navegar pelo site de partilha de vídeo, é preciso ter 18 anos ou 13, se houver autorização de um pai ou encarregado de educação.

Comentários impróprios

Com a polémica da relação do YouTube com as crianças ao rubro, o site de tecnologia "The Verge" voltou agora a denunciar a existência de comentários explícitos em páginas dedicadas a menores (ou de menores) e alguns que tentam mesmo aliciar crianças a tirar a roupa ou a contactar os autores das mensagens explícitas de forma privada.

O site dá o exemplo de um vídeo de uma criança a fazer ginástica, filmado de forma amadora e aparentemente inocente. No entanto, um comentador pediu likes caso as imagens tivessem provocado uma ereção a outros utilizadores. Recebeu 19 indicações afirmativas. Outros comentários descreviam atos sexuais e um deixava mesmo um número de WhatsApp, afirmando que tinha vídeos para partilhar.

Num outro vídeo relacionado com ginástica, o "The Verge" encontrou um número de telefone para troca de sms e mais comentários explícitos publicados há dez meses, sem que tivessem sido apagados. Quando o YouTube foi contactado acabou por apagar totalmente os vídeos e contactar os autores para terem mais cuidado com o tipo de imagens que partilham publicamente.

Dificuldade de moderação e o reforço do YouTube

Ainda que existam equipas em permanência a monitorizar conteúdos e a receber denúncias de conteúdos carregados para a plataforma, o site tem de confiar nos utilizadores para ajudar a sinalizar imagens e comentários que devem ser retirados. Em agosto, a BBC revelava que o sistema do site para proteger crianças estava "a falhar".

Membros da rede de voluntários "Trusted Flaggers", que ajudam o site a identificar conteúdos problemáticos, afirmavam que a empresa não estava a conseguir dar conta de todos os relatórios que eram enviados. Existiam na altura, segundo eles, "meses de atraso" nas denúncias.

Segundo o grupo, há milhares de "potenciais predadores" a circular na rede, tendo em conta a quantidades de comentários sexualizados que encontram e que denunciam.

O YouTube garante que leva o problema da segurança infantil muito a sério e revela que está a "reforçar a aplicação" das políticas que protegem os mais novos na rede, mesmo quando não é claro que os criadores de conteúdos pretendem ultrapassar os limites estabelecidos.

"Levamos a segurança infantil extremamente a sério e temos políticas claras contra as ameaças a crianças. Recentemente, reforçámos a aplicação dessas mesmas políticas para enfrentar o conteúdo relacionado com menores onde recebemos sinais que causam preocupação. Nem sempre é claro que o responsável pelo upload do conteúdo pretende quebrar as nossas regras, mas podemos remover os seus vídeos para ajudar a proteger espectadores, utilizadores e crianças. Encerrámos o canal Toy Freaks por violar as nossas políticas. Juntamente com Trusted Flaggers especializados, estamos a realizar uma revisão mais alargada do tipo de conteúdo existente", revelou ao JN fonte oficial do YouTube em Portugal.

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