Irão lança drones kamikaze Shahed-136 um pouco por todo o Golfo Pérsico
Tendo já demonstrado a sua eficácia barata e letal no campo de batalha ucraniano, o drone kamikaze Shahed‑136, de fabrico iraniano, foi lançado por todo o Golfo Pérsico este fim de semana, causando danos significativos no âmbito da retaliação direta de Teerão aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
O 136 é uma variante de veículos aéreos não tripulados da família Shahed (Shahed significa "testemunha" em farsi), que é barata de produzir e pode funcionar como um míssil guiado, deslocando‑se até um alvo predeterminado. Foram desenvolvidos por uma empresa associada à poderosa Guarda Revolucionária Islâmica, o ramo militar ideológico responsável por proteger o sistema governante do Irão. O Irão fabrica estes drones pelo menos desde 2021 e já os utilizou anteriormente no Iraque.
Vídeos verificados pelo The New York Times no sábado mostram Shahed‑136 a colidirem com edifícios no Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Enquanto o drone paira no ar, o seu motor emite um zumbido distinto. Num vídeo do ataque à capital do Bahrein, Manama, é possível ouvir esse som quando o drone triangular atinge a lateral de um prédio residencial de vários andares, provocando um incêndio e lançando destroços.
Os drones de ataque unidirecional têm várias vantagens em relação aos mísseis tradicionais, sobretudo o custo reduzido - cerca de 35 mil dólares por unidade - e um alcance relativamente longo, de 2.000 quilómetros. Seth Frantzman, especialista em guerra com drones, afirma que, embora os Shahed sejam pouco eficazes comparados com outras armas, conseguem por vezes escapar a sistemas de defesa aérea dispendiosos, espalhando caos e terror, e podem ser produzidos em grandes quantidades.
"Eles dão aos iranianos um sistema de armas barato, semelhante a uma força aérea", disse Frantzman, autor do livro "Drones Wars: Pioneers, Killing Machines, Artificial Intelligence, and the Battle for the Future" (Guerras com Drones: Pioneiros, Máquinas de Matar, Inteligência Artificial e a Batalha pelo Futuro), publicado em 2021.
Outro vídeo, também de sábado, mostra um Shahed‑136 a atingir alegadamente infraestrutura dentro de uma base da Marinha dos EUA no Bahrein. Uma coluna de fumo negro ergue‑se da zona enquanto o zumbido do drone se torna audível; momentos depois, o aparelho surge a curvar sobre a fumaça e explode no impacto.
Imagens registadas no bairro de Jumeirah, no Dubai, mostram um Shahed‑136 a atingir o Fairmont Palm, um hotel de luxo onde uma noite num quarto padrão custa cerca de 200 dólares. "Meu Deus", diz a pessoa que filmava a cena.
No sábado, os EUA e Israel lançaram uma série de ataques contra a liderança e instalações militares do Irão, que resultaram na morte do líder do país durante décadas, o aiatola Ali Khamenei. O Irão retaliou lançando mísseis e drones por todo o Médio Oriente, visando os países que acolhem tropas americanas. No domingo, Ali Larijani, um alto responsável iraniano, escreveu nas redes sociais que o Irão não estava a atacar países árabes, mas sim bases utilizadas pelas forças americanas.
O Shahed‑136 também foi utilizado pela Rússia para atingir infraestrutura civil na Ucrânia. Geran é um dos nomes que a Rússia dá à sua linha de drones Shahed produzidos internamente, fabricados agora numa fábrica remota no leste do país e modificados ao longo da invasão russa.
No final do ano passado, os EUA anunciaram que iriam implementar drones de ataque unidirecional conhecidos como LUCAS, desenvolvidos a partir do Shahed por uma empresa sediada no Arizona, a SpectreWorks. O CENTCOM anunciou no X que os EUA haviam utilizado estes drones pela primeira vez na sua campanha contra o Irão, embora tal não tenha sido possível verificar de forma independente.

