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A Saucony decidiu colmatar o espaço livre entre sapatilhas de competição e sapatilhas de treino diário, colocando tecnologia de velocidade num modelo extra-confortável. É estranho. E pesado.
Fazer treinos rápidos sem fazer muito esforço, com calçado confortável? É a posta da marca americana para assinalar os seus 125 anos de vida. A Saucony criou as Kinvara Pro, que não têm nada a ver com a linha Kinvara que a tornou famosa, a não ser a tecnologia de alguma espuma.
Mas vamos por partes. A primeira é logo o momento em que se tiram da caixa. São pesadas: 240 gramas para o modelo médio feminino, 269 para o masculino. Para quem acaba de chegar de um treino com as Kinvara 14, é uma dor de alma (são as nossas favoritas, admitimos e pesam, pornto, 175 gramas no nosso modelo, o 39 feminino).
A segunda parte é a constatação, ao cabo de alguns quilómetros, do facto de a tecnologia compensar o excesso de peso que arrastamos nos pés. Além da placa de carbono a 3/4, a forma da sola em barco (Speedroll, que dá impulso para a frente) ajudam a contrariar os 240 gramas.
Na verdade, as Kinvara Pro proporcionam um treino rápido com a sensação de conforto, trazido pela dupla espuma (PWRRUN PB e PWRRUN), a que se soma a espuma da palmilha (PWRRUN+).
Diferenciam-se das Endorphine Pro devido à placa de carbono, que as torna muito mais rígidas e, portanto, mais responsivas. E diferenciam-se das Kinvara 14 e das restantes Kinvara porque estas apostavam no minimalismo. Por fim, diferenciam-se das Endorphine Elite (as mais rápidas) pelo peso e pelo maximalismo.
A escolha do nome Kinvara será uma aposta na intimidade do cliente habitual. Soa estranho. São bem mais altas (42 mm no calcanhar, 34 no antepé), o que, contudo, não parece afetar a estabilidade, dada a largura da base.
Em resumo: temos nos pés uma sapatilha excelente para longas distâncias porque o conforto compensa a dureza de uma corrida rápida, mas talvez não tanto para provas curtas, em que o peso pode constituir um obstáculo a uma maior eficiência. No fundo, trata-se de um calçado para treinos de velocidade diários, desaconselhado a treinos de recuperação e descanso.
Quanto à parte superior, oferece aquilo a que a Saucony nos tem habituado, uma malhar leve, respirável, simples e bonita (ainda que o modelo que nos chegou seja branca, o que o torna bonito apenas nas duas ou três primeiras utilizações. A sensação ao calçar é de um tamanho ajustado, sem apertos laterais e com almofada no calcanhar e na língua, o que soma ao conforto.
Custam 220 euros, o que as torna mais baratas do que as Elite, mas mais caras do que as Endorphine Pro.
Nota: o produto foi fornecido pela marca.

