Insegurança

Adolescente de 13 anos perfurou mão de GNR com faca

Adolescente de 13 anos perfurou mão de GNR com faca

Guardas envolveram-se em confrontos com grupo de jovens de bairro no Peso da Régua. Associação profissional denuncia "clima de medo" na cidade e exige medidas para combater criminalidade

Um adolescente, de 13 anos, esfaqueou um militar da GNR, durante confrontos ocorridos, na manhã desta terça, entre guardas em instrução e um grupo de moradores do Bairro Verde, na cidade do Peso da Régua. O ferido já foi operado à mão perfurada pela faca, enquanto o jovem, assim como dois colegas de 14 e 17 anos, foi levado para o posto. Os dois rapazes mais novos já foram, no entanto, libertados após terem sido identificados.

Na sequência deste episódio, a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) refere que há um "clima de medo" na cidade do Peso da Régua provocado por "uma minoria étnica" e que os militares "sentem-se abandonados à sua sorte". Exige, portanto, mais apoio do Comando-Geral da GNR, inclusive nos processos judiciais que os guardas enfrentam na sequência de várias agressões.

Adolescentes identificados e libertados

Tudo aconteceu quando os guardas do Destacamento de Peso da Régua estavam, no âmbito de uma ação de instrução obrigatória, a realizar exercícios de corrida e, ao passarem junto do Bairro Verde, foram insultados por um grupo de jovens residentes. Segundo o JN apurou, quatro ou cinco dos guardas em formação decidiram confrontar os adolescentes, pedindo-lhes que terminassem com os insultos. Porém, estes reagiram com violência e dois deles empunharam facas para atacar os guardas. "Um dos guardas apenas evitou um golpe fatal por ter protegido o peito com uma mão, que acabou por ser perfurada", descreve a APG/GNR.

Já com o apoio de alguns colegas que passavam no local, os militares conseguiram terminar com os confrontos e deter três dos jovens agressores, de 13, 14 e 17 anos. O mais novo dos rapazes foi o autor do esfaqueamento, mas, tal como o amigo de 14 anos, foi, devido à tenra idade, libertado após ter sido identificado no posto. Só o mais velho dos jovens continuou detido para ser levado à presença de um juiz.

PUB

Entretanto, o guarda esfaqueado foi submetido a uma intervenção cirúrgica de urgência para debelar os ferimentos sofridos.

"Pior tipo de xenofobia é precisamente o paternalismo"

Para a APG/GNR este tipo de agressões a guardas não é uma novidade no Peso da Régua. A associação denuncia, aliás, um "clima de medo" na cidade, provocado por "uma comunidade pertencente a uma minoria étnica e que tem sido promotora de conflitos vários". Exige, por esse motivo, que sejam tomadas medidas.

"A APG/GNR considera que o pior tipo de xenofobia é precisamente o paternalismo e a passividade com que se trata os crimes praticados por esta comunidade do Peso da Régua, que tem criado alarme social junto das populações, que constatam que há alguma impunidade que se impõe como regra", defende a associação.

O dirigente da APG/GNR, Paulo Pinto, acrescenta que "a Régua e as regiões adjacentes estão subjugadas a uma minoria que espalha o pânico e ameaça tudo e todos, incluindo elementos das forças de segurança". Paulo Pinto lembra que, já em março do ano passado, a APG/GNR enviou um ofício ao Comando-Geral da GNR a denunciar o "clima de impunidade" reinante no Peso da Régua.

Nesse documento, a APG/GNR frisa que o mesmo "grupo de indivíduos, sistematicamente, persegue e ameaça os profissionais da Guarda" e revela que as "próprias autoridades judiciais têm solicitado periodicamente proteção policial para saírem das instalações do tribunal, por temerem pela sua integridade".

Exigido apoio judiciário

Neste contexto, a associação profissional defende que a GNR deveria "constituir-se assistente" nos processos judiciais relacionados com os moradores do Bairro Verde e "oferecer o seu apoio judiciário e institucional aos profissionais envolvidos". O ofício da APG/GNR não recebeu, ao longo destes meses, qualquer resposta.

"O clima de medo gerado, e que é extensível às populações circundantes, não pode ser ignorado, como tem sido até à data e os profissionais sentem-se abandonados à sua sorte. É no mínimo exigível que a Guarda preste patrocínio jurídico, apoio psicológico imediato e que se constitua assistente no processo", defende a APG/GNR. Paulo Pinto exige, ainda, "que as autoridades judiciárias tenham mão pesada sobre estes casos".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG