
O antigo presidente da Naval 1º de Maio, Aprígio Santos
Ricardo Junior / Arquivo Global Imagens
O antigo presidente da Naval 1º de Maio Aprígio Santos afirmou, esta quinta-feira, ao Tribunal de Coimbra, que não tinha conhecimento das dívidas fiscais do clube de quase um milhão de euros, pelas quais está a ser julgado por abuso de confiança fiscal.
"Na Naval tinha o trabalho de arranjar o dinheiro. A estrutura é que fazia a gestão financeira. Devia ter olhado para as coisas de outra maneira", assumiu Aprígio Santos.
O antigo dirigente da Naval, clube que competiu na principal divisão do futebol profissional, contou que as decisões sobre os jogadores e equipa técnica passavam sempre por si, sendo que os pagamentos eram feitos pela estrutura do clube da Figueira da Foz, que, afirmou, era composta por pessoas da sua confiança. "Confiava no João Almeida (dirigente do clube, falecido em 2016) que, durante 20 anos, fazia os pagamentos. Desconhecia que havia dívidas fiscais", alegou.
Ao tribunal, Aprígio Santos declarou ao tribunal que a Naval 1º de Maio era, para si, um escape de fim de semana. "Tinha 30 empresas, era humanamente impossível estar por dentro de tudo no clube", revelou.
Os problemas de saúde que começaram a afetá-lo, em 2009, levaram-no, contou, a afastar-se do clube e da Figueira da Foz. "Tenho pena que isto tenha acontecido porque gosto muito da Naval. Gosto de futebol, mas nunca mais voltei a ver um jogo ao vivo. Só não tenho pena da Figueira da Foz. Podiam ter feito mais pelo clube, mas não havia paixão", censurou.
Aprígio Santos e a Naval (cujo processo de insolvência foi encerrado em 2016) estão acusados de um crime de abuso de confiança fiscal, por não terem entregado valores de IRS e IVA, num total de 860 mil euros.
