
Ruben Oliveira "Xuxas" considera que foi alvo de uma “orquestração” da PJ
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O debate instrutório do processo de tráfico de droga que visa Ruben Oliveira, ou "Xuxas" foi adiado, esta segunda-feira de manhã, porque alguns arguidos que estão em prisão preventiva não foram transportados, pelos Serviços Prisionais, para o Tribunal de Lisboa .
Após o debate instrutório - parte final da fase de instrução, similiar às alegações finais da fase de julgamento -, o juiz de instrução criminal Carlos Alexandre vai decidir se leva ou não "Xuxas" e os restantes arguidos a tribunal pela acusação deduzida pelo Ministério Público.
À saída do tribunal, o advogado de Ruben Oliveira "Xuxas" criticou Carlos Alexandre por limitar o trabalho dos advogados. "Nós queremos ter acesso às mensagens que as autoridades belgas e francesas piratearam para incriminar o arguido, não sabemos se são reais ou manipuladas. Lembro que há uma agente inglesa que está a ser julgada por manipular essas mensagens, que são meros documentos em Excel facilmente falseados", alegou Vítor Parente Ribeiro.
Em causa estão mensagens hackeadas através da instalação de programas de malware para aceder aos servidores da empresa Encrochat e Sky ECC, cujos aparelhos os arguidos usavam.
Melo Alves, advogado de outro arguido, afirma que o processo é "riquíssimo na violação dos deveres constitucionais dos arguidos". As alegações vão prosseguir esta tarde de segunda-feira e o advogado considera que o juiz Carlos Alexandre "vai ter que dar razão a vários pontos das nossas alegações".
Ruben Oliveira considera que foi alvo de uma “orquestração” da Polícia Judiciária para o investigar ainda em 2018 e que o MP moldou o processo baseado em “mentiras, deturpações” e “prova proibida”. Preso desde junho de 2022, está acusado de liderar um grupo criminoso, com "ligações estreitas com as organizações criminosas do Comando Vermelho, no Brasil, e do Cartel de Medellin, na Colômbia", lê-se na acusação do MP, e com ramificações nos Portos de Setúbal, de Sines e de Leixões e no Aeroporto de Lisboa".
Ruben Oliveira responde com outros 20 arguidos (ao todo 18 pessoas e três empresas) por tráfico de estupefacientes, de associação criminosa para o tráfico, de detenção de arma proibida e de branqueamento de capitais.

