Ana Rosa ouviu na rua que é uma "preta nojenta". Petição propõe agravamento de penas por insultos racistas
Plataforma antirracista que divulgou caso recente de insultos racistas contra mulher, na rua, quer levar à Assembleia da República debate sobre mudança no Código Penal, para enquadrar na lei atos praticados com motivação racista.
Ana Rosa Santiago tinha acabado de sair do carro, a caminho de um evento de celebração do Dia da Mulher Santomense, em Moscavide, concelho de Loures, quando se viu alvo de um chorrilho de insultos de cariz racista. Eram cerca de 11.30 horas do passado dia 20, sábado. "Saí para ajudar a minha filha a estacionar e comecei a ouvir uma senhora a ralhar e a dizer palavrões", começou por contar ao JN. De início não percebeu que era a visada, mas as injúrias que se seguiram - "pretas de merda" e uma linguagem que nem consegue reproduzir - desfizeram as dúvidas. O motivo seria a forma como o carro estava estacionado, com a parte traseira em cima do passeio, como estavam todos os carros ao lado. Ana Rosa, de 66 anos, diz que começou por ignorar, mas a insistência da mulher que lhe gritava impropérios fez com que pegasse no telemóvel e começasse a filmar. "Bateu com o carrinho [de compras] no meu pé várias vezes. Afastei-me, não liguei, mas ela vinha atrás de nós sempre a mandar vir. E então comecei a gravar", explica.

