
Ator João Baptista julgado por violência sobre a "ex" Dina Kelly
Paulo Spranger/ Global Imagens
João Baptista começou ontem a ser julgado pelo crime de violência doméstica no Tribunal de Loures, onde preferiu remeter-se ao silêncio.
A ex-namorada, Dina Kelly, acusa o ator de a ter agredido e perseguido entre julho de 2017 e abril de 2018, enquanto namoraram, e de a ter ameaçado de morte. Desde que apresentou queixa, Dina tem um botão de pânico, é seguida por um psicólogo e deixou de trabalhar à noite no seu espaço de estética num centro comercial, em Loures, por medo.
"P*** de m****, maluca, mongoloide, vadia" era a forma como o ator se dirigia à ex-namorada sempre que esta se recusava a falar com ele, algumas vezes em locais públicos, disse ontem Dina Kelly, em lágrimas. Alguns dos episódios foram corroborados pela filha e uma cliente da esteticista, ouvidas ontem em tribunal. A empresária assegura ainda que foi ameaçada de morte duas vezes. "Ele disse-me "conheces-me sabes do que eu sou capaz e quem eu conheço"".
Outras ameaças
Terá tido uma ameaça de morte mais direta, mas após o fim da relação, período que não está a ser julgado nem é objeto de acusação, como alertou a juíza.
A queixosa relatou ainda que o arguido lhe pedia várias vezes o telemóvel para ver "mensagens de homens", tendo chegado a fazê-lo enquanto esta dormia. Em setembro de 2017, após uma discussão em casa de um amigo do arguido, precisamente por ter recusado mostrar o telemóvel, o ator ter-lhe-á dado um murro na cara. "O embate foi muito grande, por isso cai ao chão. Fiquei roxa no olho e na boca", descreveu em tribunal.
Polícia chamada
Depois, continuou, "os vizinhos chamaram a Polícia e ele pediu-me para não dizer nada porque ia começar um trabalho e assim ia perdê-lo". Dina Kelly acabou por aceder ao pedido. "Ele prometia sempre que ia melhorar. Dizia que me amava, que eu era a mulher da vida dele".
À saída do tribunal, João Baptista não quis prestar declarações. O advogado de Dina, João Pinho, disse aos jornalistas que o Ministério Público pediu que seja atribuída uma indemnização à sua cliente. "Já ela não pediu nada, só quer justiça para que não aconteça isto a outra mulher".
