
Suspeito vai aguardar julgamento em prisão preventiva
Foto: Leonel de Castro / Arquivo
O recluso de 25 anos que matou o colega de cela, na cadeia do Linhó, em Cascais, sofre de esquizofrenia e bipolaridade. A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) diz que, esta "madrugada", a vítima, de 24 anos, terá sido agredida pelo colega com um ferro "retirado da cama", na sequência de uma "altercação" entre ambos. A ocorrência só foi detetada, segundo a DGRSP, pelo guarda que, já de manhã, "procedia à abertura das celas".
"Desgraçaram-se as vidas de dois jovens", reagiu o avô do homicidia, garantindo, ao JN, ter alertado para o risco de o neto partilhar cela. A DGRSP afirma que os contactos dos familiares "nunca foram no sentido de que representava qualquer perigosidade para terceiros".
O secretário-geral da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso, Vítor Ilharco, promete apresentar queixa-crime por "eventual negligência" dos serviços prisionais. Os avós do homicida enviaram "dezenas de e-mails" à direção da cadeia do Linhó, avisando que o neto era frequentemente ameaçado, pelo seu comportamento, garante. A 18 de fevereiro, o avô terá relatado mesmo a uma diretora-adjunta que o neto estava desesperado, após alegadas ameaças do companheiro de cela. Mas a dirigente terá "desvalorizado os receios, garantindo que a situação estava sob controlo", conta Ilharco.
Ao JN, a DGRSP, de Orlando Carvalho, garantiu que o recluso "foi objeto de acompanhamento clínico" e que "o internamento e a alta hospitalar obedecem a critérios clínicos definidos pelos médicos".
Já o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Frederico Morais, classifica a situação como "um enorme atentado à segurança". "Matou um recluso, como podia ter matado um guarda", sublinha, pedindo "um processo de averiguação à gestão por parte do hospital prisional".

