
O Club 80 já foi considerado uma das maiores casas de prostituição da região Norte
Foto: Igor Martins / Arquivo
O empresário Rui Sousa, que começou esta quarta-feira a ser julgado pelo alegado recrutamento de mulheres estrangeiras para a prostituição no Club 80, um estabelecimento do qual foi gerente e, depois, proprietário em Rio Mau, Vila do Conde, garantiu desconhecer que aquelas "prestassem atos sexuais".
O Club 80 já foi considerado uma das maiores casas de prostituição da região Norte. Mas Rui Sousa afirmou que aquelas mulheres, maioritariamente sul-americanas, "por regra, não podiam" fazer sexo com os clientes. "Se eu soubesse, mandava-as embora", assegurou Rui Sousa, atualmente a trabalhar no setor da hotelaria.
As declarações foram prestadas pelo arguido à juíza de instrução criminal após a sua detenção, em 2019, e reproduzidas esta quarta-feira no Tribunal de Matosinhos, uma vez que o empresário e os outros arguidos optaram pelo silêncio no arranque do julgamento.
No primeiro interrogatório judicial, Rui Sousa alegou que "as mulheres iam e vinham [ao Club 80] quando lhes apetecia para fazer o alterne" e que desconhecia "se elas estavam ou não ilegais". "Não tinha o direito de lhes perguntar isso", justificou-se.
Quanto aos cerca de 550 mil euros que o agora extinto Serviço de Estrangeiros e Fronteiras lhe apreendeu em casa, em Braga, o arguido explicou que era "o dinheiro da sua vida". "Há 20 anos que trabalho todos os dias. Não o coloquei em bancos porque não era todo declarado", disse.
O que diz a acusação?
O Ministério Público (MP) considerou "fortemente indiciado" que, entre 2015 e julho de 2019, dois dos arguidos dedicavam-se à angariação de mulheres para prostituição e alterne, em espaço explorado por aqueles, a troco de uma percentagem do valor pecuniário cobrado aos clientes, o que fizeram naquele clube noturno em Vila do Conde.
"Diretamente ou através de uma rede de contactos que detinham, [os arguidos] procuravam mulheres que se encontrassem em situação de carência económica, sem qualquer suporte familiar e preferencialmente que não tivessem a sua situação legalizada em Portugal (...), garantindo-lhes um ascendente que lhes permitia assegurar a continuidade dos serviços e o secretismo da atividade", refere o MP.
No seguimento de fiscalizações realizadas ocorridas em fevereiro e novembro de 2017, maio de 2018, janeiro e julho de 2019, foram localizadas no interior do estabelecimento 116 mulheres, das quais 37 em situação irregular.
A acusação diz também que duas arguidas (que também prestaram serviços no espaço, em situação irregular) aceitaram colaborar com os exploradores do clube, constituindo uma sociedade e permitindo a abertura de conta bancária para que fossem movimentados muitos dos pagamentos realizados no interior do estabelecimento.

