"É prática normal jogadores não receberem salário", afirma antigo treinador do São Pedro da Cova

O antigo treinador do São Pedro da Cova, Armando Santos
Foto: André Rolo
O antigo treinador do São Pedro da Cova, Armando Santos, negou, esta segunda-feira, no Tribunal de São João Novo, no Porto, ter recebido alguma contrapartida pela chegada de jovens jogadores brasileiros ao clube. Referiu que as condições de alojamento eram "excelentes" e afirma que é prática comum, em clubes amadores, não haver lugar ao pagamento de salários. O arguido, juntamente com Vítor Catão, à data diretor desportivo do clube, estão acusados de 11 crimes de auxílio à imigração ilegal e angariação de mão de obra ilegal.
Segundo contou Armando Santos, "é uma aposta que eles fazem na carreira e, no caso dos brasileiros, alguns recebiam dinheiro da família". Explicou, ainda, que era apenas treinador e todas as questões relacionados com a legalização dos jogadores era da responsabilidade do presidente do clube, já falecido.
Os crimes dos arguidos estão acusados terão sido cometidos na época 2018/2019. Segundo o Ministério Público de Gondomar, Vítor Catão e Armando Santos recrutaram 11 jogadores brasileiros em situação irregular, pagando-lhes entre 150 e 300 euros mensais.
Os atletas eram inscritos na Associação de Futebol do Porto e competiam na Divisão de Elite Pro-nacional, apesar de não terem visto válido. Alguns dormiam em beliches instalados numa sala sob as bancadas do Estádio do Laranjal. A entrada em Portugal era facilitada com cartas-convite para testes, prometendo-se regularização que não ocorreu.
A investigação iniciou-se no SEF e foi concluída pela Polícia Judiciária.

