
Estádio do Dragão
Foto: Fábio Poço / Arquivo
O F. C. Porto confirmou que vai pagar 605.300,90 euros (acrescidos de juros e custas do processo) de indemnização ao Benfica no âmbito do "caso dos e-mails". A decisão consta do Relatório e Contas do primeiro semestre da época 2025/26 e resulta da decisão do Tribunal Constitucional, que rejeitou o último recurso da SAD portista e confirmou a decisão do Supremo Tribunal de Justiça.
Segundo o documento, "com esta decisão, com trânsito em julgado no dia 16 de janeiro de 2026, dá-se o encerramento deste processo declarativo. É entendimento do Conselho de Administração que do desfecho deste processo não resultarão impactos materiais nas contas consolidadas do grupo para além dos referidos 605.300,90 euros, acrescidos de juros e custas que sejam devidas no processo".
O chamado "caso dos e-mails" remonta a 2017 e 2018, quando o F. C. Porto começou a divulgar, no programa "Universo Porto", do Porto Canal, comunicações eletrónicas alegadamente trocadas entre elementos ligados à estrutura do Benfica e terceiros. Os conteúdos eram apresentados pelos responsáveis portistas como reveladores de práticas irregulares no futebol português.
O Benfica contestou a legalidade da obtenção e divulgação dessas mensagens, avançando para tribunal com um processo cível por considerar que a exposição pública dos e-mails lhe havia causado avultados prejuízos.
Benfica queria 17,7 milhões de euros
O processo deu entrada no Tribunal Cível do Porto em 2018 e visava o F. C. Porto, o então presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, Fernando Gomes, Adelino Caldeira e Francisco J. Marques, à data diretor de comunicação do F. C. Porto
O Benfica reclamava 17,7 milhões de euros, mas em primeira instância, os azuis e brancos haviam sido condenados ao pagamento de 1,9 milhões de euros. Montante que foi reduzido para 1,6 milhões pelo Tribunal da Relação e acabou fixado nos 605.300,90 euros pelo Supremo Tribunal de Justiça, decisão agora validada pelo Acórdão n.º 1178/2025 do Tribunal Constitucional.
O F. C. Porto ficou ainda absolvido do pagamento de compensação por danos não patrimoniais relativos à imagem e reputação do Benfica.
No plano criminal, Francisco J. Marques foi condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça, em abril de 2025, a dois anos de prisão com pena suspensa, em cúmulo jurídico, pelos crimes de violação de correspondência ou telecomunicações agravada e ofensa a pessoa coletiva. Já Diogo Faria, diretor de conteúdos do Porto Canal, foi condenado a um ano de prisão, também com pena suspensa.

