Guardas provisórios no Rali de Portugal são “mão de obra barata numa festa privada”

César Nogueira lidera a APG/GNR
Foto: Pedro Correia/Global Imagens
A GNR vai mobilizar cerca de 700 militares, todos os dias, na operação policial delineada para o Rali de Portugal. Além destes, também estão escalados 200 guardas provisórios que ainda estão a frequentar o Curso de Formação de Guardas.
A GNR explica que o empenhamento destes estagiários insere-se numa “ótica de aprendizagem”, mas para a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) a utilização dos guardas provisórios é apenas “mão de obra barata para um evento privado”.
Ao JN, a GNR refere que a operação policial para o Rali de Portugal, que tem início nesta quinta-feira, “visa garantir a segurança nos deslocamentos, acessos e a segurança do evento e dos espetadores”. O Comando-Geral da Guarda refere, de igual modo, que estarão empenhados militares de várias unidades da Guarda”, designadamente dos comandos territoriais, através das valências de trânsito, intervenção, cavalaria e cinotécnica, da Unidade de Intervenção e da Unidade Nacional de Trânsito.
“O dispositivo de segurança da Guarda prevê o empenhamento diário de cerca de 700 militares (em média), entre dia 9 e dia 12 de maio. Este dispositivo atuará de forma preventiva e está preparado para todo o tipo de situações que possam colocar em causa a segurança da prova. Esta competição carateriza-se por ser um dos maiores eventos desportivos nacionais e trata-se igualmente de uma das operações policiais mais complexas, que exige obviamente um planeamento rigoroso e que contempla diversos planos de contingência que são contemplados desde a fase inicial de planeamento até à sua concretização”, descreve fonte oficial.
Replicar modelo da Jornada Mundial da Juventude
A GNR admite ainda que cerca de 200 guardas provisórios, a frequentar o Curso de Formação de Guardas, irão integrar o dispositivo de segurança. A presença destes elementos ainda em formação justifica-se “numa ótica de aprendizagem e partilha de experiência, situação que faz parte da formação/estágio”.
Refere a GNR que os guardas provisórios “já têm vindo a ser empregues nos grandes eventos, tal como aconteceu na Jornada Mundial da Juventude”. “Estes militares não fazem parte do efetivo nomeado para a Operação do Rali”, esclarece .
Porém, para o presidente da APG/GNR, não se podem comparar os dois eventos. “O Rali de Portugal é um evento privado”, lembra. O dirigente associativo não suspeita que esta medida tenha o intuito de precaver protestos de último hora dos militares, mas defende que é “contraproducente” enviar guardas provisórios para a prova automobilística, porque, na sua opinião, estes deviam “estar a acompanhar patrulhas”.
Assim, César Nogueira só entende a decisão como uma forma de ter “mão de obra barata numa festa privada”. “Muitos guardas não querem fazer um serviço que não oferece as mínimas condições de higiene e os guardas provisórios servem para completar o efetivo necessário”, critica.

