
Idoso vivia no Bairro da Horta Nova, em Carnide, onde tinha outra horta além daquela em que foi esfaqueado
Foto: Paulo Alexandrino
Vizinhos acreditam que mendigo foi o autor do homicídio, ocorrido ao final da tarde de domingo. Popular viu cadáver a ser arrastado e ligou para o 112. Polícia Judiciária está a investigar.
No Bairro da Horta Nova, em Lisboa, é difícil encontrar quem não conhecesse o “senhor Manuel”, que todos os dias saía de casa com um saco para, de manhã e de tarde, ir tratar das suas duas pequenas hortas: uma na própria urbanização municipal onde residia e outra a cinco minutos a pé, perto do centro histórico de Carnide.
No domingo à noite, foi esfaqueado até à morte e já não voltou a casa. Os vizinhos acreditam que o homicida foi um mendigo que o reformado de 68 anos gostava de ajudar e que vivia numa barraca próxima da horta.
O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ), que, até à hora de publicação deste texto, não anunciou a detenção de qualquer suspeito do crime, cujas circunstâncias ainda não se conhecem.
De acordo com fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, eram 19.20 horas de domingo quando alguém ligou para o 112 a alertar que vira uma pessoa a arrastar o corpo de outra. Depois de fazerem buscas no local, os polícias acabaram por encontrar o cadáver, com “vários golpes”, deixado num carrinho de mão, na Azinhaga do Serrado, em Carnide.
Inicialmente, testemunhas indicaram às autoridades que a vítima seria um homem sem-abrigo que por ali pernoitava, mas a informação acabou por não se confirmar.
Bairro "em choque"
Quando o corpo foi descoberto, reinava já alguma preocupação no Bairro da Horta Nova, face à ausência prolongada do “senhor Manuel”, que, segundo os vizinhos, “nem sequer bebia” e, por isso, não ia a horas tardias para o café.
A morte do idoso, declarada no local pelo INEM, foi comunicada à família durante a noite de domingo e espalhou-se esta segunda-feira de manhã por um bairro “em choque”, sem “nada a apontar” ao reformado.
Depois de se ter radicado em Angola, Manuel voltou a Portugal há uma década, pela mão da mulher, criada na Horta Nova e que conhecera em África. Nos últimos anos, ultrapassou a morte de uma filha - assassinada à facada pelo companheiro - e parecia agora estar a conseguir vencer um cancro na garganta.
