
João Raimundo está acusado de tentar matar um ex-amigo, na Guarda
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O Ministério Público acusou João Raimundo, de 81 anos, professor jubilado, ex-dirigente da UGT e antigo presidente do Instituto Politécnico da Guarda, de tentar matar um homem à martelada, na sua residência. Um segundo arguido responde também por agressões e ameaças.
Segundo a acusação, a que o JN teve acesso, a agressão ocorreu a 30 de junho de 2023, quando a vítima foi a casa de João Raimundo para entregar compras que havia realizado a pedido da mulher do arguido, uma tarefa que cumpria regularmente, dado os laços de amizade que mantinha com ela.
De acordo com o Ministério Público, "era recorrente a esposa do arguido João Raimundo solicitar os serviços da vítima para realizar compras em supermercados/hipermercados, sendo a entrega das referidas compras combinada para ocorrer em alturas em que o arguido João Raimundo não estivesse em casa, para que não se cruzasse com a vítima".
Naquele dia, no entanto, cruzaram-se no interior da habitação, com a vítima a ser confrontada pelos dois arguidos, que a acusaram de ter furtado dinheiro e peças em ouro e de ter acedido ao cofre de João Raimundo. A discussão rapidamente degenerou em agressões físicas.
Murros e pontapés
Segundo o despacho de acusação, "em ato contínuo e em comunhão de esforços, os arguidos desferiram murros e pontapés em várias partes do corpo do ofendido", tendo ainda arremessado um guarda-chuva na sua direção.
Ao finalizar o ataque, João Raimundo terá atirado um martelo contra a vítima, com quem mantivera uma relação de amizade e de trabalho durante cerca de 30 anos, atingindo-o "na região temporal esquerda da cabeça, provocando-lhe um ferimento com sangramento".
O segundo arguido, Ricardo Cruz, também terá proferido ameaças durante o episódio e, de acordo com o Ministério Público, ameaçou o homem: "oh pá, cala-te com essa merda também antes que leves mais".
Lesões permanentes
As agressões provocaram vários ferimentos, incluindo hematomas no tórax, escoriações nos braços e pernas, várias equimoses e uma ferida na região parietal esquerda do crânio com cerca de quatro centímetros.
A acusação refere que as lesões determinaram "45 dias para consolidação médico-legal, com afetação da capacidade de trabalho durante 30 dias", perda de audição no ouvido esquerdo e dores de cabeça frequentes.
O Ministério Público sustenta ainda que João Raimundo atuou com intenção de matar ao atirar o martelo contra a cabeça da vítima, salientando tratar-se de "uma zona vital do corpo" e que o resultado mortal apenas não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade do arguido.
Na acusação agora deduzida, o antigo sindicalista, e atual presidente da Ensiguarda- Escola Profissional da Guarda, responde por um crime de homicídio qualificado na forma tentada e por um crime de ofensa à integridade física grave. Já Ricardo Cruz foi acusado de ofensa à integridade física grave e de ameaça.

