Jovem português acusado de roubar computador da NATO e tentar vender segredos à Rússia

Jovem português acusado de tentar vender informações militares da NATO à Rússia
Foto: Simon Wohlfahrt / AFP
Um português de 23 anos terá roubado um computador e um tablet a um militar sueco da NATO, em Lisboa, com objetivo de vender eventuais informações secretas à Federação Russa. Foi agora acusado de espionagem na forma tentada, três furtos qualificados e outros crimes. Está em prisão preventiva.
Os factos em causa ocorreram entre 3 e 7 de fevereiro do ano passado, altura em que se realizou na Escola da Base Naval do Alfeite uma conferência com cerca de 300 pessoas, a sua maioria militares, para o planeamento do maior exercício do Mundo dedicado à experimentação robótica de sistemas não tripulados - REP (MUS).
Segundo a acusação, o arguido apercebeu-se de que o evento teria uma relevância tática considerável para a NATO e seus aliados, como Portugal, e que as matérias ali tratadas também seriam apetecíveis para serviços de informação estrangeiros estranhos à NATO, tais como os da Federação da Rússia.
Assim, o jovem, que se dedicava a furtos como modo de vida, instalou-se no mesmo hotel em Lisboa onde ficaram alojados os militares da NATO. Conseguiu apropriar-se de um computador e de um tablet da NATO e da Marinha sueca que estavam afetos a um militar ao serviço da NATO.
"Convicto de que tinha matérias secretas e classificadas em seu poder, tentou aceder ao respetivo conteúdo e copiá-lo e pretendeu colaborar com a Federação Russa, procurando vender o respetivo conteúdo a seus agentes ou colaboradores, dirigindo-se, para o efeito, junto da Embaixada da Federação Russa, em Lisboa, sem que, no entanto, tivesse alcançado esse objetivo", descreve uma nota do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, frisando que usava documentos de terceiros para se identificar.
No decurso da investigação, o suspeito chegou a expressar a vontade, que mais tarde se apurou ser simulada, de colaborar com a investigação. Nesse contexto, denunciou a existência de uma suposta organização criminosa que se dedicava à prática de atos de espionagem e de violação de Segredo de Estado, da qual assumiu fazer parte, imputando a onze outros indivíduos que identificou, entre os quais um inspetor da Polícia Judiciária, a prática desses e de outros crimes.
Os indícios probatórios reunidos no inquérito demonstraram que essa versão "não tinha qualquer correspondência com a realidade e não passou de um mero artifício usado pelo arguido com o objetivo de tirar o foco da investigação de si próprio e, provavelmente, de terceiros que nunca identificou", denuncia a mesma nota.
O principal arguido encontra-se sujeito a prisão preventiva e proibição de contactos, estando os outros dois arguidos sujeitos a termo de identidade e residência.

