
O julgamento de Pedro Dias, acusado de homicídio, prossegue esta terça-feira no Tribunal da Guarda, estando prevista a audição de seis testemunhas.
A sessão começou com a audição de Fátima Lino, mãe da mulher que morreu no dia 12 de abril, meio ano depois de ter sido baleada, juntamente com o marido, Luís Pinto, na EN 229, a caminho de uma consulta de fertilidade em Coimbra.
Fátima Lino contou que há dois anos que o casal tentava ter filhos, depois de terem perdido um primeiro bebé. Na véspera dos crimes, a filha, Liliane Pinto, contou que ia a Coimbra e que, como habitualmente, levaria entre 300 a 500 euros. Dinheiro que desapareceu do carro tal como os telemóveis.
A acusação diz que Pedro Dias se apropriou de tudo e que lhes roubou o carro para voltar ao lugar onde abateu o guarda Carlos Caetano.
"Éramos uma família feliz, agora não somos", referiu, emocionada, enquanto recordava a véspera do dia em que a sua filha e o seu genro foram baleados.
"Fui vê-la no dia a seguir e a minha filha estava numa lástima. Apenas tinha os olhos abertos, apertava-me a mão e mexia os lábios, mas penso que ouvia tudo o que dizíamos", recordou, acrescentando que a visitou todos os dias em que esteve internada em Viseu e depois na Unidade de Cuidados Paliativos de Seia.
Seguiu-se a audição de Virgínia Pinto, a mãe de Luís Pinto. Num depoimento emocionado, recordou que só conseguiu confirmar a morte do filho no final do dia 11 de outubro do ano passado.
Na sexta-feira passada, o militar da GNR que sobreviveu aos homicídios de Aguiar da Beira esteve no mesmo tribunal a relatar os acontecimentos da noite em que Pedro Dias o feriu a tiro.
António Ferreira começou por pedir que Pedro Dias fosse retirado da sala de audiências, antes que começasse a relatar os acontecimentos daquele dia. O pedido foi aceite pelo tribunal, sendo que Pedro Dias assistiu ao depoimento através de transmissão vídeo, num outro local do Tribunal da Guarda.
Ao longo de duas horas, o militar da GNR revelou que "ainda hoje não sabe o que passou na cabeça de Pedro Dias para ter feito o que fez" e que recorda todos os dias os crimes de Aguiar da Beira
"Não há dia nenhum que não pense nisso", apontou António Ferreira, acrescentando que "não há sentimentos que expliquem" o que sentiu quando foi obrigado a colocar o colega morto na bagageira do veículo da GNR.
Depois de ter passado cerca de duas horas da manhã a descrever o que aconteceu na noite de 11 de outubro de 2016, António Ferreira falou mais 45 minutos durante a tarde, desta feita para partilhar o trauma psicológico e as lesões físicas com que ficou.
