
Tribunal decidiu realizar instrução à porta fechada
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A instrução da Operação Pretoriana será feita sem a presença de público e de jornalistas, decidiu o Tribunal de Instrução Criminal do Porto. Em causa está o receio de incidentes envolvendo elementos da claque dos Super Dragões.
A decisão de realizar a instrução à porta fechada foi avançada esta manhã de terça-feira pelo jornal "Público" que viu recusado o pedido de assistência. Assim, tanto a comunicação social como o público não poderão estar presentes na sala de audiências quando Fernando Madureira e a mulher, entre outros, forem inquiridos.
No despacho a que o JN teve acesso, o Tribunal de Instrução Criminal realça que existe "fundado risco de incidentes envolvendo elementos simpatizantes ou associados dos Super Dragões e apoiantes dos arguidos. Portanto, optou-se pela exclusão da publicidade tanto para o público como para a comunicação social para "salvaguardar que a produção de prova decorra de forma pacífica, tranquila e resguardada, com serenidade por parte dos intervenientes, de molde a assegurar o regular andamento dos trabalhos".
O Ministério Público já tinha frisado a necessidade de proteger as testemunhas por receio de represálias por parte de elementos da claque do F. C. Porto apelando a um julgamento à porta fechada.
O arranque da instrução da Operação Pretoriano e os interrogatórios de Fernando Madureira e a mulher Sandra estiveram marcados para sexta-feira da semana passada. Porém, foram adiados por causa da greve dos oficias de Justiça. Está marcada uma nova sessão para esta sexta-feira, dia 25, mas que, sabe-se agora, será realizada à porta fechada.
Neste processo está em causa uma eventual tentativa de a claque Super Dragões "criar um clima de intimidação e medo" na AG do FC Porto, realizada em 13 de novembro de 2023, na qual houve vários incidentes e agressões, para que fosse aprovada a revisão estatutária, "do interesse da direção" 'azul e branca', então liderada pelo ex-presidente do clube Pinto da Costa, sustenta a acusação do Ministério Público (MP).
Fernando Madureira, que permanece em prisão preventiva, Sandra Madureira e Vítor Catão, mas também os outros arguidos, entre os quais Hugo 'Polaco' Carneiro e Fernando Saúl, estão acusados de sete crimes de ofensa à integridade física no âmbito de espetáculo desportivo, 19 de coação e ameaça agravada, um de instigação pública a um crime, um de arremesso de objetos ou produtos líquidos e ainda três de atentado à liberdade de informação.
O arguido Hugo Loureiro está também acusado de detenção de arma proibida.
Na acusação, o MP requer penas acessórias de interdição de entrar em recintos desportivos entre um e cinco anos. O FC Porto e a SAD do clube 'azul e branco' constituíram-se assistentes do processo.

