
DR
Bagagem foi encontrada às voltas num tapete rolante, de um voo proveniente da República Dominicana. PJ investiga se droga avaliada em 1,5 milhões de euros está relacionada com esquema desmantelado na semana passada e que envolvia dois funcionários do Aeroporto Humberto Delgado.
Duas malas de viagem, cheias com 49 quilos de cocaína, foram abandonadas no tapete rolante do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. A bagagem chegou a Portugal num voo comercial da TAP, oriundo da República Dominicana e tinha cartões de identificação em nome de um cidadão estrangeiro. Ninguém, no entanto, foi detido.
A apreensão da droga, avaliada em mais de 1,5 milhões de euros, aconteceu três dias depois da Polícia Judiciária (PJ) ter anunciado a operação "Limpeza Profunda", durante a qual foram apreendidos quase 33 quilos de cocaína, escondidos dentro de uma mala que estava a ser retirada do mesmo aeroporto. Um funcionário de uma empresa de handling e outro ao serviço de uma empresa de limpeza foram detidos. A PJ ainda não tem provas que liguem as duas situações, mas não afasta essa possibilidade.
Droga traficada em voo da TAP
A Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ já investigava o caso, mas tudo se precipitou na semana passada, quando duas malas de viagem ficaram, por um longo período de tempo, às voltas no tapete rolante, sem ser recolhida. Seria retirada pelos inspetores da Autoridade Tributária e Aduaneira que, quando abriram a bagagem, encontraram 41 blocos de cocaína, com um peso de 49 quilos, suficiente para, pelo menos, 490 mil doses e avaliada entre 1,5 e 1,7 milhões de euros.
A droga foi entregue à PJ, que confirmou que as malas chegaram ao aeroporto lisboeta num voo da TAP, que partiu de Punta Cana, na República Dominicana. Os inspetores concluíram, ainda, que as malas carregadas de droga foram postas no porão do avião e, já em Portugal, encaminhadas, juntamente com a restante bagagem desse voo, para o tapete rolante para ser recolhida.
Porém, quem estava incumbido de apanhar as malas terá ficado assustado e decidiu abandoná-las à vista de todos. Não se importou, tão-pouco, que a bagagem ostentasse cartões de identificação, com o nome de um cidadão estrangeiro, que a PJ tenta localizar.
Funcionários retiravam droga do aeroporto
Já no último sábado, a PJ divulgou a operação "Limpeza Profunda", que permitiu desmantelar um esquema de tráfico de cocaína que, suspeita-se, há muito estava instalado no Aeroporto Humberto Delgado. Ainda no Brasil, a droga era posta em malas que, sem passar pelo chek in dos aeroportos locais, eram dissimuladas entre a bagagem de voos comerciais com destino a Portugal.
Já em Lisboa, um funcionário da empresa de handling (responsável pela retirada da bagagem dos aviões) recolhia as malas com droga e passava-as a um trabalhador de uma empresa de limpeza. E era este que fazia com que as malas cheias de droga saíssem do aeroporto sem serem fiscalizadas.
Duas dessas malas, que escondiam 30 embalagens com quase 33 quilos de cocaína, foram apreendidas, na semana passada, na posse do funcionário da empresa de limpeza, quando este estava no exterior da infraestrutura aeroportuária. Foi, tal como o comparsa, detido pela PJ e posto em prisão preventiva.
Ambos portugueses, têm 30 e 38 anos e há muito que exercem funções no Aeroporto Humberto Delgado. A PJ acredita, por esse motivo, que não foi a primeira vez que os dois trabalhadores colaboraram no tráfico de cocaína.
Embora não haja ainda indícios que liguem as duas situações, a investigação da Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes tenta apurar se os dois casos sinalizados estão relacionados.
