Manifestação à porta do Tribunal de Barcelos assinala início do julgamento do caso da gata Ariel

Os manifestantes realizaram um protesto simbólico que coincidiu com o início do processo judicial da gata Ariel
Foto: Barcelos Popular
Cerca de uma dezena de pessoas manifestou-se, ao início da tarde desta sexta-feira, à porta do Tribunal de Barcelos, no arranque do julgamento de um caso de maus-tratos a animais que gerou forte indignação pública.
Os manifestantes exibiam uma tarja com a mensagem "Maus-tratos a animais é crime", num protesto simbólico que coincidiu com o início do processo judicial relacionado com a gata Ariel.
A ação contou com o apoio e a solidariedade expressa de associações de proteção animal barcelense, que se uniram em torno da SOS Bigodes, a associação que acabou por salvar o animal e assumir todos os cuidados médico-veterinários após a situação de negligência extrema a que foi sujeito.
O caso remonta a novembro de 2022 e envolve uma gata de quatro meses que, alegadamente, foi colocada no interior de um forno doméstico ligado por uma criança de três anos. Após o incidente, o animal terá sido deixado durante cerca de uma semana numa garagem, sem qualquer tipo de assistência médico-veterinária, em sofrimento contínuo e com dores intensas, apresentando queimaduras em cerca de 50% do corpo.
Símbolo da luta contra os maus-tratos
O Tribunal de Barcelos julga esta semana a tutora da gata, mãe da criança, acusada de maus-tratos, negligência e abandono. Findo o período de uma semana de sofrimento, a adotante terá contactado uma clínica veterinária para obter informações sobre a eutanásia do animal, alegando falta de recursos financeiros. Questionada sobre a possibilidade de ter recorrido a associações de apoio, revelou que o animal tinha sido adotado através da SOS Bigodes.
Através da verificação do microchip e do boletim de vacinas, confirmou-se que Ariel ainda se encontrava registada em nome da associação, que assumiu de imediato todos os cuidados necessários. A SOS Bigodes garantiu tratamentos médico-veterinários prolongados e inovadores, incluindo enxertos de pele de peixe, que permitiram salvar a vida do animal.
Mais de três anos depois, Ariel sobrevive com sequelas graves, mas tornou-se um símbolo da luta contra os maus-tratos a animais. O início do julgamento voltou a mobilizar o movimento associativo, que sublinha que este processo representa um passo importante na sensibilização da sociedade, apesar de considerar que a legislação em vigor continua a prever penas demasiado brandas para este tipo de crimes.
À porta do tribunal, a mensagem deixada pelos manifestantes foi clara: Ariel não está sozinha. A SOS Bigodes também não. As associações de proteção animal apresentam-se unidas e solidárias, determinadas a continuar a exigir justiça e a defender os direitos dos animais.

