
Fátima Martinho foi condenada por um crime de homicídio simples qualificado mas sentou-se no banco dos réus acusada de um crime de homicídio qualificado
Octavio Passos/Global Imagens
Fátima Martinho, que atirou o filho autista a um poço e desceu para o afogar, na aldeia de Cabanelas, em Mirandela, foi esta quinta-feira condenada a 10 anos de prisão.
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O Tribunal de Mirandela reconheceu que a arguida chegou a um estado de desgaste emocional e de desespero, agravado pela pandemia, e por isso condenou Fátima Martinho a uma pena bastante inferior ao limite da moldura penal no crime de homicídio simples, que é de 16 anos de prisão.
Ainda assim, o coletivo de juízes que julgou o caso considerou que a arguida devia ter tido consciência "melhor do que ninguém" que estava a chegar a um limite das suas forças, face ao agravamento do estado do filho devido ao afastamento da escola e das rotinas devido à pandemia e ao confinamento.
O tribunal defendeu que falhou o Estado, a família e os vizinhos nesta tragédia.
Fátima Martinho, com 53 anos, estaria sujeita a muito stress enquanto cuidadora do filho, o que lhe terá provocado um alegado estado de "burnout" (exaustão emocional).
O crime remonta a 6 de julho de 2020 e ocorreu em Cabanelas, concelho de Mirandela, num terreno isolado a cerca de três quilómetros daquela aldeia, onde mãe e filho residiam.
Segundo a acusação, que se baseia na confissão da arguida, esta sedou com medicamentos o filho autista de 17 anos e empurrou-o para um poço com seis metros de profundidade.
A mulher pensava que o filho se afogaria de imediato ao atirá-lo para o poço, só que tal não aconteceu. Quando se apercebeu que o jovem que sofria de autismo profundo e de epilepsia estava vivo, a acusada desceu e forçou o afogamento com as próprias mãos.
Fátima Martinho, que é divorciada e cuidava sozinha do filho, queixava-se aos vizinhos que o filho era violento, comportamentos que terão piorado com a situação de pandemia de covid-19 e o período de confinamento, porque o jovem deixou de frequentar o ensino especial no Agrupamento de Escolas de Escolas de Vinhais.
