
Tribunal de Instrução Criminal do Porto interrogou arguido
Foto: Arquivo
O pai que raptou a filha, de três anos, para a salvar de um suposto apocalipse vai ficar preso na cadeia de Custóias, em Matosinhos. Mas, logo que a casa da mãe, no Porto, tenha as condições necessárias, o detido vai para prisão domiciliária.
Segundo um comunicado da juíza-presidente da Comarca do Porto, Ana Cristina Costa, o arguido fica ainda impedido de contactar "duas testemunhas já inquiridas no processo".
As medidas de coação foram decretadas, esta quinta-feira, pelo juiz de instrução criminal, que deu "como fortemente indiciado os crimes de rapto agravado, detenção de arma proibida e resistência e coação sobre funcionário". Estes crimes, esclarece-se, são "punidos com penas de prisão".
Por outro lado, verificam-se "os perigos de perturbação do decurso da instrução do processo e, nomeadamente, perigo para a conservação ou veracidade da prova".
A "natureza e circunstâncias do crime", assim como a "personalidade do arguido", também levaram o tribunal a temer que o detido continue "a atividade criminosa ou perturbe gravemente a ordem e a tranquilidade públicas".
Tal como JN revelou, na segunda-feira da semana passada, o ex-bancário raptou a filha do apartamento da antiga companheira, na zona das Antas e fugiu para um abrigo de montanha, em Montalegre, só acessível por jipe e completamente isolado. Na ocasião, deixou uma carta a referir que queria salvar a criança do apocalipse.
O ex-bancário seria detido uma semana depois, em Matosinhos. Numa busca no abrigo, a Polícia Judiciária encontrou grandes quantidades de carne, peixe, frutas e cereais desidratados.
O eremita negacionista e adepto de teorias da conspiração também construiu um bunker. A estrutura, edificada a cerca de seis metros de profundidade, pode acolher até seis pessoas e dispõe de água canalizada e de um sistema de renovação de ar.

