PJ desmantelou grupo neonazi para "não voltar a ter gente inválida, com casas incendiadas ou morta"

Luís Neves explicou que PJ atuou preventivamente antes de haver mortes ou danos graves
Foto: Manuel de Almeida/Lusa
O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) disse que a operação levada a cabo esta terça-feira visou uma associação criminosa de ideologia neonazi ligada a crimes de discriminação e incitamento ao ódio e violência. As autoridades atuaram de forma preventiva, ainda antes de haver "crimes de resultado", explicou Luís Neves.
Nos últimos anos, passou a haver sete vezes mais crimes de ódio, salientou o responsável máximo pela PJ, lembrando que esta estrutura criminosa já esteve ligada ao homicídio de José Carvalho, político do PSR, em 1989, e de Alcindo Monteiro, em 1995, no Bairro Alto, "num crime hediondo que marcou o país". Já neste século, duas operações da PJ, uma em 2007 e outra em 2016, visaram os Hammerskin, um grupo radical de extrema-direita, responsável por vários crimes violentos.
A investigação que culminou nesta operação foi "iniciado há relativamente pouco tempo" e permitiu identificar uma associação criminosa ligada a crimes de discriminação e incitamento ao ódio e violência.
"Uma organização hierarquizada, com estabilidade no tempo, que se alarga, e com uma vontade coletiva e sentimento de pertença, de ideologia neonazi, com o objetivo de segregação de parte da população", descreveu Luís Neves.
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"Atuámos de forma preventiva porque não queremos voltar a ter gente que fique inválida, com casas incendiadas ou que fique morta", justificou o diretor nacional. Luís Neves reforçou que esta estrutura e até alguns dos atuais membros já foram responsáveis por "homicídios, pessoas que ficaram com gravíssimas sequelas e isso não é possível num país com a nossa matriz".
O diretor nacional da PJ garantiu anda que "todos os tipos de crimes politicamente motivados, seja qual for a origem, terão como certa a ação da PJ na perspetiva estancar essa atividade".
67 buscas e 37 detenções
A diretora da Unidade Nacional Contraterrorismo (UNCT), responsável pela operação, detalhou que estiveram envolvidos cerca de 300 elementos que realizaram 67 buscas e 37 detenções, cinco das quais de mulheres. Foram ainda constituídos outros 15 arguidos.
"Era um grupo organizado, hierarquizado e unido num sentimento de pertença para a prática de crimes de ódio, de incitamento ao ódio e violência, de ameaças, de ofensas à integridade física, de coação e o seu financiamento", descreveu Patrícia Silveira.
Foram apreendidos vários elementos relacionados com a atividade do grupo, nomeadamente material de propaganda e alusivo à matriz de extrema-direita e ideologia nazi, armas de fogo e armas brancas. Os detidos irão ser apresentados a primeiro interrogatório amanhã, quarta-feira.

