
Judiciária identificou 30 pessoas, em Sobral do Monte Agraço
Foto: PJ
A Polícia Judiciária (PJ) identificou 30 pessoas em Sobral do Monte Agraço, numa operação que visou três casas associadas à exploração sexual, no âmbito de uma ação global da Interpol contra o tráfico de seres humanos e a imigração ilegal. Denominada "Operação Liberterra III", a intervenção decorreu entre 10 e 21 de novembro de 2025 e levou à sinalização de cerca de 1800 vítimas de tráfico de pessoas e à deteção de 12.992 imigrantes irregulares em 119 países.
Durante a operação da Interpol, foram detidos 3744 suspeitos e mobilizados mais de 14 mil agentes policiais, tendo sido realizadas vigilâncias, rusgas direcionadas e reforços nos controlos fronteiriços, o que originou mais de 720 novas investigações, muitas ainda em curso.
Em Portugal, a ação foi conduzida pela Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional Contraterrorismo, no âmbito de inquéritos relacionados com o crime de auxílio à imigração ilegal.
No total, a PJ fiscalizou cerca de 50 moradas e identificou 120 pessoas, destacando-se a intervenção realizada em Sobral de Monte Agraço.
Novas rotas
O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, afirmou que "o nível de ação policial demonstra uma forte cooperação internacional", alertando que as redes criminosas "continuam a evoluir, explorando novas rotas, plataformas digitais e populações vulneráveis". Segundo o responsável, a identificação destes padrões permite "antecipar ameaças, desmantelar redes e proteger melhor as vítimas".
A Interpol destaca que os esquemas de fraude associados ao tráfico de seres humanos "continuam a ser um grave problema" em várias regiões da Ásia e de África, embora os avanços na deteção tenham conduzido a mais detenções. A organização alerta ainda para o aumento da exploração laboral forçada e de crimes como a remoção de órgãos, bem como para a persistência de pressões nas rotas marítimas do Atlântico e do Mediterrâneo.
As autoridades recorrem cada vez mais ao "monitoramento online" para rastrear redes criminosas, que permanecem ligadas a crimes como fraude documental, branqueamento de capitais e tráfico de droga.

