Presidente do Observatório de Segurança pede cautela na leitura dos dados sobre crimes

Mediatização dos crimes também pode gerar perceção exagerada de insegurança, avisa
Foto: Arquivo
O presidente do OSCOT - Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, Francisco Rodrigues, considera que os dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que, por vezes, apontam para indicadores negativos face a anos anteriores, devem ser analisados com cautela e enquadramento.
Em declarações recentes, Francisco Rodrigues reconheceu que "é evidente que o relatório apresenta valores negativos em relação aos anos transatos, e isso está a acontecer", sublinhando, no entanto, que essa evolução já está a ser alvo de reflexão no seio das forças e serviços de segurança, com vista à adaptação de estratégias de prevenção e combate ao crime.
Segundo o responsável, a leitura isolada destes dados, associada à forte mediatização de determinados casos, pode contribuir para uma perceção exagerada de insegurança no país. "Nos últimos tempos vivemos um conjunto de acontecimentos que nos pode levar a pensar que atravessamos um período de insegurança, mas isso não corresponde à normalidade do panorama português", afirmou, defendendo uma análise mais global e sustentada da realidade.
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Ainda assim, o responsável admite que existem fenómenos criminais que exigem atenção e resposta adequada por parte das autoridades competentes. "Há alguns dados que nos levam a refletir sobre a forma de combater determinados fenómenos criminológicos", explicou, destacando a criminalidade associada a grupos jovens e os abusos ocorridos no contexto familiar.
Sobre este último aspeto, considerou tratar-se de "um flagelo" com impacto significativo a nível social e familiar, alertando, porém, que estes casos não devem ser usados para generalizações excessivas nem para alimentar discursos alarmistas.
Francisco Rodrigues alertou também para o papel do discurso político na construção da perceção pública da segurança. "Quando existem intervenientes políticos que querem dar uma dimensão diferente daquela que realmente existe, isso pode levar os menos informados a pensar que vivemos num estado de insegurança", afirmou, defendendo maior responsabilidade na forma como o tema é abordado no espaço público.
O presidente do OSCOT defendeu ainda a necessidade de confiança no trabalho das forças e serviços de segurança. "Temos de deixar as polícias trabalhar", sublinhou, destacando que Portugal dispõe de "forças de segurança de excelência" e de uma Polícia Judiciária "reconhecida internacionalmente", cujo trabalho tem sido determinante no combate à criminalidade mais complexa.
De resto, lembra que Portugal continua a ser um dos países mais seguros do Mundo.

