Professor julgado por maus-tratos a alunos em Leiria: "Criou ambiente de terror psicológico"

O arguido expôs os menores a um "ambiente de terror psicológico, violência e agressividade", considerou o Ministério Público
Foto: Leonel de Castro
O Tribunal Judicial de Leiria começa a julgar no dia 23 um professor acusado de dois crimes de maus-tratos em concurso aparente com dois crimes de ofensa à integridade física qualificada.
No despacho de acusação, consultado pela agência Lusa, lê-se que, em outubro de 2021, o arguido, de 51 anos, professor numa escola do 1.º ciclo do concelho de Leiria, desferiu uma chapada a uma aluna, então com seis anos, por esta ter "um comportamento irrequieto", ação que repetiu noutras ocasiões.
Entre outros aspetos, o Ministério Público (MP) referiu que, em fevereiro do ano seguinte, o professor agarrou uma aluna pelo queixo e deu-lhe "três ou quatro bofetadas no rosto", depois de a estudante se ter recusado a olhar para o quadro. Depois, empurrou-a para fora da sala de aula em direção à casa de banho, "ao mesmo tempo que lhe ia dando chapadas no rosto".
Quando professor e aluna se encontravam na casa de banho, o docente lavou a cara da menor e "esfregou papel no seu rosto com muita força", dizendo-lhe, aos berros, para ir para a sala de aula.
Segundo o MP, "a menor ficou magoada no rosto, não só pela força que o arguido utilizou quando lhe esfregou o rosto, mas também porque tinha uma ferida no olho direito que havia sido causada" pelo arguido. Esta situação causou nervosismo e medo nos colegas da menor, sustentou o MP.
"Molestou física e psicologicamente os menores"
Ainda de acordo com o despacho de acusação, em março de 2024, o mesmo professor foi chamado, por uma colega docente, a intervir no caso de uma criança de nove anos que estaria a perturbar uma aula de karaté. O arguido disse à criança "para pedir desculpa à turma, o que o menor não fez de imediato", acabando por lhe dar duas chapadas - atitude que foi presenciada pela professora e por quatro alunos.
Para o MP, o docente agiu com intenção de "molestar física e psicologicamente os menores", o que fez de forma reiterada em relação à criança de seis anos.
Segundo o despacho de acusação, o professor "conhecia as idades dos menores e sabia que os mesmos se encontravam ao seu cuidado, sendo responsável pela sua educação, saúde e bem-estar, na qualidade de coordenador e professor" na escola.
O arguido expôs os menores a um "ambiente de terror psicológico, violência e agressividade", adiantou o MP, considerando que aquele atuou "de uma forma especialmente censurável, uma vez que agrediu os mesmos em frente aos seus colegas de escola, de forma totalmente inesperada, e adotou um comportamento absolutamente intolerável".
A agência Lusa enviou, em outubro de 2025, um pedido de informação, que reiterou na quarta-feira, ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, questionando, entre outras perguntas, se o docente foi alvo de processo disciplinar, mas não obteve resposta.
