
Pedro Costa fotografado durante um protesto
Gerardo Santos / Global Imagens
O polícia Pedro Costa, que iniciou uma onda de protestos entre os elementos das forças de segurança, gravou um vídeo esta quarta-feira em que critica a plataforma que junta sindicatos da PSP e associações da GNR por adiar os protestos para depois das eleições legislativas de 10 de março.
"Ao que parece, este último comunicado da plataforma veio originar dúvidas quanto à continuidade das vigílias já marcadas bem como [de] futuras vigílias. Pergunto-vos: a plataforma alguma vez teve participação nas nossas vigílias? Sendo a resposta do vosso conhecimento, as vigílias são para continuar. Pelo menos, eu irei continuar", afirma Pedro Costa, num vídeo difundido esta noite nas redes sociais.
Em causa está o adiamento do encontro nacional de polícias, inicialmente agendado para 2 de março, para o “pós 10 de março, já num novo quadro político”, comunicado na terça-feira pela plataforma sindical.
Na mensagem, o agente da PSP começa por lamentar que os sindicatos deixem, assim, "à margem" os polícias, e as vígilias em que estes marcam presença, mas rapidamente refere que é "algo que não é novidade, porque desde o dia 7 de janeiro [quando foi para a porta da Assembleia da República] que assim o é."
Apesar de dizer que "respeita" quem quer seguir as "indicações da plataforma", Pedro Costa refere que irá continuar esta "luta dos polícias, ao lado de polícias", e que só irá parar "quando resolverem esta injustiça que nos afeta a todos".
No vídeo dirigido aos elementos das forças de segurança, o agente da PSP acusa ainda os políticos de ameaça e coação: "Portugal é o único país onde os seus políticos querem o mal das suas forças de segurança, inclusive virando o cidadão contra os polícias. De forma direta, ameaçam e coagem os polícias por lutarem por melhores condições salariais. E, de forma indireta, encomendam autênticas marionetas para vir regurgitar a sua propaganda para os órgãos de comunicação social."
E deixa um recado ao Governo: "Não nos vão vencer pelo cansaço, muito menos com essa tática de processos disciplinares e criminais para todos os polícias, a chamada caça às bruxas".
O vídeo termina com uma mensagem dirigida a "certos comentadores" que, diz, "mostram não ter caráter e personalidade" ao proferir "discursos encomendados": "Os polícias já perceberam que isso não nos abala. Estamos unidos e ninguém, de forma alguma, vai conseguir vencer esta união".
Esta não é a primeira vez que o agente da PSP, que trabalha no Aeroporto de Lisboa, critica a plataforma. A 30 de janeiro, tal como o JN deu conta, Pedro Costa acusou esta organização de não aparecer na Assembleia da República, exceto quando estava presente a comunicação social. "Tirando o dia 24 [de janeiro, dia da manifestação dos polícias em Lisboa] ou quando estão cá as câmaras, nunca cá puseram os pés", disse, na altura.
Os elementos da PSP e da GNR, recorde-se, estão em protesto há mais de dois meses para exigirem um suplemento idêntico ao atribuído à Polícia Judiciária.

