
Jorge Veiga e Castro, Presidente da confederação portuguesa do yoga
Paulo Spranger /Global Imagens
Vítimas quebraram silêncio fora de prazo legal. Jorge Vieira e Castro, tido como uma "divindade", esteve na mira da PJ por oito casos com alunas.
O ex-presidente da Confederação Portuguesa do Yoga Jorge Veiga e Castro esteve na mira da Polícia Judiciária (PJ) por suspeitas de ter abusado de várias alunas.
Apesar de as provas serem consideradas sólidas, o Ministério Público (MP) teve de arquivar a investigação, porque as vítimas se queixaram fora do prazo legal de seis meses. Só participações mais recentes poderão reabrir o caso.
O caso nasceu em meados do ano passado, depois de o namorado de uma aluna se ter queixado do mestre nas redes sociais. Fez um apelo público para saber se existiam mais episódios de abusos. Obteve várias respostas incriminatórias contra Jorge Veiga e Castro e a PJ de Lisboa abriu a investigação.
Logo no início, os inspetores depararam-se com um problema. Os crimes de coação sexual e de violação dependem de queixa que tem de ser apresentada num máximo de seis meses após os factos e os casos relatados pelas primeiras vítimas já estavam fora do prazo legal.
Ainda assim, por haver fortes suspeitas de existirem outras vítimas, a investigação prosseguiu e identificou uma dezena de mulheres.
Todas elas descreveram, com pormenores, os atos sexuais a que foram sujeitas, tanto na sede da Confederação como em centros de ioga da Grande Lisboa.
Depois de uma primeira abordagem, o mestre, que escolheria as mulheres mais frágeis, oferecia-se para lhes proporcionar sessões individuais. Ali, seriam vítimas de pequenos toques sexuais, mas também de atos mais agressivos. Duas delas queixaram-se de violação.
A PJ procurou, junto de responsáveis dos centros, depoimentos que corroborassem as acusações, mas enfrentaram hostilidade. É que, de acordo com informações recolhidas pelo JN, o mestre é venerado como se de uma divindade se tratasse. A lógica vigente será, até, que as vítimas deveriam "estar gratas" por o mestre se interessar por elas. As autoridades acreditam que algumas alunas poderão ter sido coagidas para manter o silêncio sobre eventuais condutas menos próprias do mestre.
À TVI, que avançou a notícia do arquivamento do caso, o suspeito garantiu nunca ter tido conhecimento da investigação e sublinhou que nada foi provado, uma vez que o processo foi arquivado pelo Ministério Público.
