
Fernando Fontes / Global Imagens
Campeã nacional de trail continua internada mais de um mês após ataque durante um treino. Animais foram recolhidos e podem ser eutanasiados.
Uma desportista atacada por dois cães quando treinava numa zona conhecida; uma avó e dois netos mordidos por um cão que saiu de casa com fome; e uma menina de 14 anos atacada quando andava de bicicleta: três casos deste ano em investigação.
Alenquer: encontrada a esvair-se em sangue
José Martins encontrou a mulher à beira da morte, após ser brutalmente atacada nos braços por dois cães de grande porte, quando corria em Alenquer. "Ela tinha 40 pulsações por minuto, estava a esvair-se em sangue. Se não fosse um homem que ouviu os gritos ter ido em seu socorro com uma chave de mudar pneus para afastar os cães, tinha certamente morrido", confessa ao JN. O ataque deu-se no passado dia 12 de fevereiro num caminho que Cidália Martins percorria a correr vezes sem conta. Os dois cães, de raça canne corso, saíram da casa do dono (militar da GNR) e atacaram a atleta, um em cada braço, jogando-a para o chão. O ataque durou 15 minutos, sem que Cidália se pudesse defender.
Volvido mais de um mês, a campeã nacional de trail no seu escalão etário permanece internada no Hospital São José. No dia em que lá chegou, foi operada durante seis horas e esteve em risco de ficar sem os braços. "Ela não está estável, recebeu quatro ou cinco transfusões de sangue", disse o marido, adiantando que o braço esquerdo (o mais afetado) "não responde a estímulos e está em muito mau estado". José Martins conta que "o médico que atende os politraumatizados neste hospital disse que nunca viu lesões tão graves em alguém ainda vivo".
Os dois cães pertencem a um militar da GNR membro da brigada cinotécnica. José Martins diz que a gravidade do ataque só pode ser explicada pelo treino recebido pelo seu detentor e deposita no Ministério Público a responsabilidade de investigar o caso. A GNR abriu um inquérito para apurar se os cães receberam treino, em violação dos normativos internos da Guarda. Os cães foram recolhidos pelo Serviço Veterinário de Alenquer e cumprem quarentena. Serão avaliados e podem vir a ser eutanasiados.
Palmela: idosa e netos menores atacados
Uma mulher com cerca de 70 anos e os dois netos, de dois e cinco anos, foram atacados por um cão dentro do empreendimento Palmela Village, na Quinta do Anjo, ao final da manhã do dia 24 de fevereiro. O cão, de raça bull terrier, queria a comida que a idosa trazia e acabou por atacar as vítimas, que sofreram ferimentos ligeiros. As vítimas foram transportadas para o Hospital de São Bernardo, em Setúbal, com ferimentos nos membros superiores. Um dos menores, um rapaz com cinco anos, foi suturado com um ponto na cabeça, embora não seja certo que o ferimento tenha sido causado pelo cão ou por uma queda na sequência do ataque.
O bull terrier não enquadra a lista de raças potencialmente perigosas em Portugal. O JN apurou que pertence a um residente no empreendimento, de onde terá saído para procurar comida. O alerta foi dado às 11.48 horas e ao local acorreram os Bombeiros Voluntários de Palmela e a GNR que recolheu o cão e entregou-o ao Serviço Municipal de Palmela. Está a cumprir quarentena e será avaliado. Se for demonstrado que é agressivo, pode vir a ser eutanasiado.
Évora: atacada quando andava de bicicleta
Uma menina de 14 anos foi atacada na ecopista de Évora por dois cães enquanto andava de bicicleta. O ataque deu-se no dia 18 de fevereiro e a rapariga sofreu ferimentos leves. A vítima andava de bicicleta com uma amiga quando foi surpreendida pelos cães. Foi projetada para o chão e mordida principalmente na parte esquerda do corpo, entre as pernas e o ombro, a zona mais afetada. Na parte direita, sofreu escoriações. O alerta foi dado às 17.42 horas e ao local acorreram os Bombeiros Voluntários de Évora e a PSP, que tomou conta da ocorrência. Os cães foram recolhidos e permanecem à guarda do Serviço Veterinário de Évora em quarentena. Serão avaliados comportamentalmente e, se demonstrarem comportamento agressivos, podem vir a ser eutanasiados. A jovem foi transportada para o hospital de Évora para receber tratamento. A família apresentou queixa na PSP, que já identificou um dos detentores dos cães. Pode vir a ser responsabilizado pelo ataque no âmbito da investigação aberta no Ministério Público e ter de pagar uma indemnização à vítima. Os ataques na ecopista de Évora, ao redor da cidade e em zona de mato, são frequentes. Há moradores que têm de circular na zona com um pau para afugentar cães que por lá circulam.
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