
Oleg e Danny chegaram a mostrar amizade nas redes sociais
D.R.
Um enfermeiro do INEM chamado ao Tribunal de Matosinhos, na quarta-feira, contou que, em junho, foi chamado para socorrer uma possível paragem cardíaca de um trabalhador emigrante, na Póvoa de Varzim, mas encontrou um corpo que estava sem vida "já há algumas horas". Por esta e outras incongruências com que se deparou, o técnico socorrista alertou as autoridades.
Na continuação do julgamento do empresário hortícola Danny Eusébio, que está a ser julgado por suspeitas de matar um empregado (o Ministério Público diz que era um escravo), sodomizando-o com um pau ou um ferro, e de ter transportado o cadáver para outro lado, tentando disfarçar o crime, depôs ontem o enfermeiro do INEM, que não teve dúvidas em afirmar que se deparou com um cenário muito suspeito.
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A informação que tinha era de alguém vítima de "paragem cardíaca". Quando tentou desnudar o ventre e peito, para manobras de ressuscitação, viu "marcas estranhas". Por outro lado, apercebeu-se que a mandíbula do homem estava "muito rígida", sinal de que estaria morto "há muito tempo".
A isto, o enfermeiro juntou o facto de as quatro pessoas ali presentes (três das quais identificou como sendo os arguidos presentes na sala de audiências) não denotarem os sinais "habituais" de quem presencia uma situação da relatada no pedido de socorro.
Perante tudo aquilo, a testemunha parou com as manobras e chamou as autoridades.
Testemunha viu agressão
Recorde-se que, segundo o Ministério Público, a 10 de junho deste ano, numas estufas da Póvoa de Varzim, Danny Eusébio introduziu um ferro ou um pau (a PJ não encontrou o objeto) no ânus de Oleg, um emigrante ucraniano, de 55 anos, que havia contratado, há pelo menos dois anos, para o ajudar no negócio das estufas.
Segundo o MP, Danny escravizava Oleg, não lhe pagando salários, mantendo-o num alojamento "indigno" e fazendo dele escravo. O crime, que não terá contornos sexuais, terá acontecido em circunstâncias que não se apuraram, mas que poderão ter a ver com o facto de o malogrado emigrante ter inclinação para "os copos".
Nesta audiência de quarta-feira, depôs ainda um antigo funcionário de Danny, que jurou que, tanto ele como a vítima, andavam "muitas vezes chumbados", isto é, embriagados. Disse também que Oleg, muitas vezes, "não tinha sequer dinheiro para comer", e que chegou a ver o Danny agredi-lo com "um cachaço".
Neste julgamento, Danny Eusébio responde pelos crimes de homicídio, escravidão e profanação de cadáver, tendo a seu lado a mulher, Sónia, e um sócio, estes acusados de "profanação" por, alegadamente terem ajudado o primeiro a transportar o cadáver para casa de Maria, mãe de Danny, tentando emprestar ao crime um cenário de "morte natural". Maria também é arguida, mas, por doença, está dispensada de comparecer à audiência.
O julgamento continua.
