Homicídio

Atacou marido com faca e quando o viu no chão "pensava que era fita"

Atacou marido com faca e quando o viu no chão "pensava que era fita"

Rosa Marta confessou, esta terça-feira, no Tribunal de Aveiro, ter agredido o marido, em agosto de 2021, com uma faca e um ancinho, mas assegurou que não se apercebeu de que ele estava morto, quando o deixou caído no chão do apartamento onde moravam, na cidade de Aveiro. A arguida responde agora por homicídio qualificado. De acordo com a acusação, a vítima, Miguel Gomes, 60 anos, tinha 85 ferimentos na cabeça, pescoço, tronco e membros superiores.

Ao coletivo de juízes, a arguida contou que, no dia do homicídio, ela e o marido saíram para comer e ver um jogo de futebol num café. Depois de chegarem a casa, à noite, terá sido ele a começar uma discussão, chamando-lhe "nomes" e puxando-lhe o cabelo. Na versão que apresentou, a violência escalou e ela disse que o iria deixar. "[Ele] irritou-se e deu-me uma facada", disse, explicando que ameaçou que a "matava". "Vi sangue e fiquei desnorteada", acrescentou.

A arguida admitiu que agrediu a vítima com uma faca e um ancinho, mas disse não se lembrar de pormenores, nem de o ter impedido de pedir socorro na varanda ou de deixar a habitação. Foi, por isso, ouvida a gravação do primeiro interrogatório judicial.

A discussão acabou com ela deitada na cama e ele estendido no corredor. "Pensava que era fita", disse Rosa Marta, para justificar não ter pedido socorro.

No dia seguinte, a arguida saiu de casa e foi comprar tabaco, antes de lhe tocar nos pés, que "estavam gelados", e se aperceber de que estava morto. Mandou mensagem a uma irmã, que alertou as autoridades. O corpo foi descoberto ao final da tarde, quando os bombeiros chegaram ao apartamento.

Aquela não era a primeira discussão entre o casal e já estava a decorrer um processo por violência doméstica. Rosa Marta, antiga auxiliar numa escola, diz que o marido, ex-motorista de autocarros, tinha problemas de " álcool " e de "jogo", nomeadamente "lotarias e raspadinhas", e ela estava a tentar tratar uma depressão.

O filho da vítima, António Gomes, relatou que os dois elementos do casal bebiam, apesar de tomarem medicação. No início era um " casamento maravilhoso, " mas, a partir de maio de 2021, discutiam devido "ao jogo e ao vinho dos dois".

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