Relatório

Aumento do tráfico de droga está a causar mais violência e corrupção na Europa

Aumento do tráfico de droga está a causar mais violência e corrupção na Europa

Europeus gastam 30 milhões de euros por ano a comprar drogas. Traficantes inovam na forma de traficar.

Os europeus gastam cerca de 30 milhões de euros por ano a comprar droga. O valor está plasmado no Relatório sobre os mercados de droga na União Europeia (UE) publicado nesta terça-feira, pela Europol e pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT).

Segundo os diretores destes dois organismos, as conclusões do estudo agora conhecido demonstram um "claro aumento da atividade de tráfico", que está a provocar "o aumento da violência e corrupção" e que exige um maior investimento dos governos e da própria UE no combate às organizações criminosas implementadas em território europeu.

Os últimos dados conhecidos revelam que a "disponibilidade de droga na Europa continua a ser muito elevada e que os consumidores têm acesso a uma grande variedade de produtos de elevada pureza e potência, a preços constantes ou em queda". A canábis (39%) é a droga mais usada pelos europeus, seguindo-se a cocaína (31%), a heroína (25%) e as anfetaminas (5%).

Alerta para os decisores políticos

A Europol e o OEDT defendem que o maior consumo de droga na Europa - que é um destino dos traficantes extracomunitários, mas cada vez mais um local de produção - está a provocar o aumento da violência entre grupos rivais, que muitas vezes termina em homicídio. A pressão sobre governos e entidades públicas através de atos de corrupção é também maior. "Este relatório é um claro alerta para que os decisores políticos se ocupem do mercado de droga em rápido crescimento, que é cada vez mais global, articulado e digitalmente habilitado. A hiperprodução de drogas, dentro e fora das fronteiras da UE, está a conduzir a uma elevada disponibilidade de substâncias naturais e sintéticas. Isto significa que os consumidores têm agora acesso a uma gama diversificada de produtos altamente potentes e puros, a preços acessíveis. O aumento da violência e da corrupção relacionadas com a droga na UE constitui uma preocupação crescente. É urgente atuar sobre as consequências de grande alcance do mercado da droga para a saúde e a segurança", alega Alexis Goosdeel, diretor do Observatório Europeu.

Também Catherine De Bolle, diretora-executiva da Europol, salienta "um claro aumento da atividade de tráfico", nos estados-membros da UE. "As autoridades responsáveis pela aplicação da lei têm de fazer face a esta evolução e é por isso que estamos a investir fortemente no apoio às investigações relacionadas com a droga na Europa. A Europol tem como alvo, em particular, grupos de criminalidade organizada de alto nível, que estão a ganhar muito dinheiro à custa das suas muitas vítimas", avança.

O combate anunciado por Catherine De Bolle adivinha-se, como sempre, complexo, tanto mais que as organizações criminosas recorrem a novas técnicas e meios para traficar droga. O uso de aviões privados e de drones é uma prática cada vez mais comum entre os cartéis e, por outro lado, tornou-se frequente traficar droga através de serviços postais e de entrega de encomendas que utilizam contentores transportados por via marítima. E há, ainda, quem compre canábis ou cocaína através da sites, redes sociais ou simples aplicações e serviços de mensagens como o WhatsApp ou o Telegram.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG