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Bombeiro detido pela PJ por abusos na escola onde é funcionário

Bombeiro detido pela PJ por abusos na escola onde é funcionário

Um bombeiro, de 43 anos, que foi detido em 2019 por suspeitas de 18 crimes de incêndio, voltou a ser detido esta quinta-feira pela Polícia Judiciária (PJ) de Vila Real por abusos sexuais de menor, alegadamente perpetrados na escola de Alfândega da Fé, onde o indivíduo trabalha. Foi libertado pelo Tribunal com suspensão de funções e apresentações periódicas às autoridades, como medida de coação.

Os factos ocorreram no período compreendido entre os anos de 2017 e 2018, no interior de um estabelecimento escolar onde o suspeito é funcionário, em Alfândega da Fé, sendo vítimas três menores, atualmente com 15 anos de idade.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, o homem exerce funções de assistente operacional em regime de destacamento por ser funcionário da câmara municipal de Alfândega da Fé. Segundo uma fonte da escola, as alunas terão sido molestadas quando andavam no primeiro ciclo, mas só recentemente é que uma delas decidiu denunciar o caso, tendo sido encaminhada para as autoridades policiais.

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O funcionário aliciaria as vítimas a acompanhá-lo a um local isolado do estabelecimento de ensino, onde eram perpetrados os abusos. Sob pretexto de lhes dar guloseimas ou deixá-las jogar no computador, conseguia ficar a sós com as vítimas e abusar delas.

O indivíduo já tinha sido detido em 2019 pelos inspetores da PJ de Vila Real por crimes de incêndio. Na altura, exercia funções de chefia e decidiu atear incêndios a terrenos florestais e agrícolas, sabendo que seriam combatidos pela corporação de bombeiros de que fazia parte, para poder evidenciar-se nesse combate, eventualmente progredindo hierarquicamente. Na altura, foi suspenso de funções nos bombeiros e proibido de frequentar as instalações da Associação Humanitária. De acordo com fontes contactadas com o JN, o processo disciplinar aguarda o término do processo judicial.

O bombeiro está a ser julgado no Tribunal de Bragança, desde 12 de novembro de 2020, por suspeita de ter ateado 18 incêndios florestais no concelho de Alfândega da Fé.

O julgamento, com mais uma sessão marcada para o dia 3 de abril, está na fase de produção de prova e de audição de testemunhas. Em causa está uma acusação que imputa ao arguido incêndios que consumiram perto de 110 hectares de terrenos e provocaram prejuízos de 270 mil euros, dos quais pelo menos cerca de 74 mil foram relativos às despesas com dispositivo e meios de combate às chamas, suportadas pela Autoridade Nacional de Proteção Civil.

O arguido foi esta sexta-feira levado ao Tribunal de Mogadouro para aplicação das medidas de coação. O Ministério Público pediu a prisão preventiva do arguido mas o juiz entendeu aplicar a proibição de contactar as vítimas e as famílias das menores, assim como a suspensão de funções na escola e a apresentação periódica às autoridades como medida de coação.

Entretanto, O município de Alfândega da Fé enviou um comunicado para as redações onde manifesta "abomínio relativo a todo o tipo de violência contra crianças" e garante que dentro das normas legais e das competências da autarquia serão tomadas " medidas internas que se coadunem com a sensibilidade e gravidade que este assunto comporta".

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