Julgamento

Bruno de Carvalho atira-se a Marcelo e Ferro Rodrigues

Bruno de Carvalho atira-se a Marcelo e Ferro Rodrigues

O ex-presidente do Sporting, acusado com outros 43 arguidos dos crimes perpetrados no ataque à Academia de Alcochete, vai jogar ao ataque no julgamento que começa no Tribunal de Monsanto, esta segunda-feira. À chegada, Bruno de Carvalho não prestou declarações.

Bruno de Carvalho garante ser inocente e atira-se a Marcelo Rebelo de Sousa e a Ferro Rodrigues, que acusa de o terem condenado na praça pública, fazendo dele um culpado.

Na contestação que o advogado de Bruno de Carvalho, Miguel A. Fonseca, enviou para o tribunal, é explicado que tanto Marcelo Rebelo de Sousa como o presidente da Assembleia da República fizeram declarações públicas que incriminavam, mesmo que indiretamente, o antigo líder do Sporting.

No documento, Bruno cita Marcelo que condenou publicamente o ataque à Academia: "tive o sentimento de alguém que se sente vexado pela imagem projetada por Portugal no Mundo. Vexado pela gravidade do que aconteceu". Cita-o ainda quando escreve que o presidente disse que o ataque não era isolado: "não é uma realidade isolada, como nunca é a atividade criminosa".

Potencialmente culpado

Bruno argumenta que aquelas declarações públicas foram proferidas "sem se apurar se existiam sequer quaisquer indícios do envolvimento do mesmo [Bruno]". Recorda depois que o Vitória de Guimarães também teve um episódio semelhante ao do ataque de Alcochete, sem que merecesse a intervenção de Marcelo. Qualifica até esse facto de "curioso".

Também se atira a Marcelo por este não ter publicamente enviado uma mensagem de apoio ao presidente do Sporting. "Aos olhos de um cidadão comum, [Marcelo] passou uma imagem para Portugal e o estrangeiro de que o presidente do Sporting era culpado ou mesmo potencialmente culpado", lembrando ainda que Marcelo estava incomodado com o facto de ter de se sentar ao lado de Bruno de Carvalho, na tribuna presidencial da final da Taça de Portugal.

Sobre Ferro Rodrigues, Bruno argumenta que o presidente da Assembleia criticou abertamente o então líder do clube após a invasão a Alcochete: "o presidente do Sporting falou e aproveitou para fazer uma daquelas extraordinárias intervenções como é habitual. É bom que as autoridades judiciais, que investigam tanto os políticos, investiguem bem os dirigentes desportivos". Bruno sugere ter havido uma campanha para o caluniar e difamar.

Argumenta ainda não existir nenhuma mensagem ou relato que o envolva e contesta que as críticas públicas que fez à então equipa principal fosse um incentivo à violência. Garante inocência e pede absolvição.

Testemunhas

Bruno de Carvalho arrolou as duas primeiras figuras de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa e Ferro Rodrigues, como testemunhas, mas o tribunal indeferiu a pretensão. Também chamou Pinto da Costa, presidente do F.C. Porto, que terá de ir ao Tribunal de Monsanto.

André Geraldes

O ex-team manager do Sporting, arguido no caso Cashball, não foi constituído arguido por falta de indícios suficientemente fortes.

Mustafá e Mendes

O atual líder da Juventude Leonina é também arguido no processo, tal como o anterior presidente da claque, Fernando "Barata" Mendes.

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