Faro

Condenado a oito anos e 10 meses ex-segurança que esfaqueou antigo senhorio

Condenado a oito anos e 10 meses ex-segurança que esfaqueou antigo senhorio

Foi condenado a oito anos e 10 meses de prisão o ex-segurança que esfaqueou o antigo senhorio no Fórum Algarve, em Faro.

António Damião, de 60 anos, que respondia por um total de 11 crimes, foi considerado culpado de homicídio na forma tentada, ofensas à integridade física, ameaças e injúria. Reincidente, o arguido já cumpriu pena por tráfico de droga na noite algarvia.

A decisão do Tribunal de Faro foi conhecida esta sexta-feira. Durante a leitura do acórdão, o arguido exaltou-se ao ouvir a juiz-presidente tecer considerações sobre uma agressão contra uma mulher, crime pelo qual também foi condenado. "O senhor vem para aqui com um ar muito simpático dizer que não bate em mulheres, que era o que faltava e que são uma flor. Mas não. O senhor aproximou-se da rapariga e deu-lhe duas estaladas só porque, para si, fez uma manobra perigosa no trânsito", disse a juíza. "Nunca bati numa mulher. Eu não bato em mulheres", gritou António Damião, tendo sido advertido de que seria colocado fora da sala.

Esta decisão foi ao encontro das expectativas do Ministério Público que, nas alegações finais, tinha pedido a condenação a uma pena de prisão efetiva. O mesmo requereu Miguel Fonseca, advogado da vítima de tentativa de homicídio. "O Estado tem a obrigação de prendê-lo, mas também de tratá-lo", disse, na altura, ao JN, remetendo para a perícia à personalidade do arguido, que o considera sociopata, com graves distúrbios de personalidade.

A tentativa de homicídio ocorreu a 21 de novembro de 2018. António Damião não pagava a renda de casa. Cruzou-se com a vítima no centro comercial, ameaçou-a de morte e atingiu-a com uma faca "com uma lâmina de 16 centímetros, tipo foice", causando-lhe ferimentos no crânio e nos braços. A agressão foi filmada por uma testemunha e publicada nas redes sociais.

Damião já tinha feito anteriores ameaças ao senhorio. "Não te esqueças que tens uma criança e posso começar por aí", "tens uma caçadeira à espera" e "vamos à escola esperar a tua mulher" foram algumas das mensagens que enviou e que constam da Acusação. Ainda em novembro, procurou a vítima na pastelaria de que é proprietário e no ginásio, munido da foice, e dizendo "eu venho para o matar".

Para além do episódio no centro comercial, Damião respondeu por outros seis casos com outras tantas vítimas. Durante o julgamento, aceitou esclarecer cada um deles. Admitiu ter injuriado e ameaçado os visados, mas rejeitou a intenção de matar. Sobre a foice e a marreta apreendidas pela PSP disse que eram "para cortar silvas e salvar gatos" e ainda "prender cavalos" que afirmou resgatar. Os restantes crimes são ameaças de morte e agressões a homens e mulheres em ginásios, num café, numa oficina e no trânsito. Todos estes factos foram dados como provados.

No final da leitura do acórdão, o arguido também se exaltou com os jornalistas presentes na sala.

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