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Confessa roubo em Aveiro mas nega sequestro de crianças

Confessa roubo em Aveiro mas nega sequestro de crianças

O homem acusado de sequestrar três crianças durante o roubo a uma habitação, em Aradas, Aveiro, no ano passado, admitiu, esta segunda-feira, em tribunal, o crime de roubo, mas não o sequestro. Bruno Miguel disse que trancar as crianças na casa de banho não fazia parte do plano original que engendrou com a ama das crianças para levarem o ouro e dinheiro dos proprietários e não soube explicar como aconteceu. A outra arguida, Cristina Isabel Costa, faltou ao início do julgamento por estar com covid-19.

O caso, que aconteceu em julho passado, ficou registado nas câmaras de vigilâncias e as imagens foram exibidos pelo proprietário da habitação nas redes sociais. Foi a segunda tentativa de Bruno Miguel e da amiga, a ama das crianças, de se apropriarem de bens dos proprietários.

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Da primeira vez, em maio, o arguido entrou quando a casa estava vazia, mas os envelopes e mealheiros que levou apenas renderam "120 euros". Da segunda vez, de acordo com a versão de Bruno Miguel, a ama deu-lhe boleia até perto da habitação, entregou-lhe uma chave da casa e deixou a porta do quintal destrancada.

O arguido admitiu que entrou, com a cara tapada por um passa-montanhas e capuz e com uma faca na mão, que "ela arranjou", para "dar credibilidade" à história de que era "vítima".

O "plano original" era a ama estar com as crianças, a mais velha das quais com quatro anos de idade, "na sala", mas quando entrou, estavam junto à porta. O arguido diz que os menores ficaram "surpreendidos", mas "não choraram nem gritaram". Apesar da insistência da juíza que presidiu ao coletivo para saber o que conversaram e porque foram para a casa de banho, onde a ama ficou com as crianças, Bruno Miguel disse não se lembrar. "Não sei", repetiu, por diversas vezes. "Quando vi as crianças, perdi a concentração do que estava a fazer", disse, explicando apenas que ela seguiu para a casa de banho e ele foi procurar os bens aos locais previamente decididos.

Da casa, levou caixas de ourivesaria que garante não ter aberto e dinheiro no valor estimado de 2.900 euros. Fugiu com os valores, a carteira, telemóvel e carro da ama. A viatura e os bens roubados foram deixados em Nariz, Aveiro, para a ama recolher mais tarde.

As imagens foram exibidas nas redes sociais, levantaram-se suspeitas e foi gerada uma "confusão" que incluiu "ameaças". Bruno Miguel cedeu e entregou-se na PJ. "Foi quando me caiu a ficha do mal que tinha feito. Já me andava a consumir. Não aguentei e entreguei-me".

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