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Desempregada e com cancro envenena filho e suicida-se

Desempregada e com cancro envenena filho e suicida-se

Deixou uma carta à família a explicar as três principais causas do seu desespero, que a levaram envenenar o filho, de 11 anos, e a suicidar-se. Os cadáveres de Maria Violante e de Vítor foram encontrados, quarta-feira, na cama, pela filha, no número 106 da Travessa dos Castanheiros, no Lombo de S. João, Ponta do Sol, concelho a oeste do Funchal.

Nessa carta, Maria Violante dava tenebrosa vida ao seu tormento: aos 55 anos, dizia estar desempregada, ter uma doença incurável (cancro) - andava a fazer tratamentos no hospital no Funchal - e não conseguia ultrapassar o suicídio do seu companheiro, há três semanas, também por envenenamento. Assim explicava o estado depressivo em que se encontrava. A juntar a isso, o facto de o pai dos dois filhos os ter abandonado e, segundo os vizinhos, estar em parte incerta.

A filha que encontrou Maria Violante e Vítor na cama, cerca das 2.40 horas, avisou os bombeiros da Ribeira Brava e a PSP. "Encontramos uma mãe e um filho já com rigidez cadavérica", explicou Agostinho Silva, comandante da corporação. Alertada, a Polícia Judiciária do Funchal foi ao local. Fonte policial confirmou que mãe e filho morreram envenenados com pesticida.

Muito debilitada

Foi depois da morte do companheiro que Maria Violante decidiu regressar à casa onde vivera com os seus filhos, e onde Vítor morava com a irmã e o companheiro. Dizem os vizinhos que o seu estado doentio e depressivo era bem visível. Andava auxiliada por uma bengala, sem cabelo, debilitada pelos tratamentos ao cancro.

Os vizinhos dizem que ela andava abatida, mas não previam a tragédia. As próprias imagens de felicidade publicadas pelo filho com a mãe no Facebook não faziam prever o triste fim de ambos.

Ontem, Mercês Gonçalves, a vizinha mais próxima, não conseguia conter as lágrimas. "Já acendi uma velinha pelo Vítor. Era um bom menino que fazia o que se lhe pedia". E critica a atitude de Violante: "Se queria morrer, não era preciso matar o próprio filho. Eu cuidava dele, se fosse preciso".

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* com Diário de Notícias da Madeira

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